Novas gravações das câmeras corporais da Polícia Militar (PM) evidenciam a execução de Igor Oliveira de Moraes Santos, de 24 anos, que foi morto a tiros em Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, enquanto estava rendido e com as mãos visíveis. O incidente ocorreu em julho de 2025 e, segundo os vídeos, Igor não resistiu à abordagem dos policiais. Após os disparos, os agentes foram filmados sussurrando entre si e discutindo sobre as câmeras que estavam gravando.
As imagens mostram a entrada dos policiais na residência onde se encontravam os suspeitos. Assim que a porta foi aberta, todos levantaram as mãos, indicando rendição. Apesar disso, um dos policiais disparou duas vezes contra uma parede. Um dos rendidos implorou: “Perdeu. Perdeu, chefe”. Em sequência, dois policiais atiraram contra Igor, que já se encontrava neutralizado. Outros indivíduos presentes no local também foram baleados, mas conseguiram sobreviver e foram posteriormente algemados.
Após a troca de tiros, um superior dos policiais chegou ao local e questionou sobre a ocorrência. O diálogo, registrado em vídeo, revela que os PMs tentaram justificar sua ação, afirmando que os suspeitos estavam se movendo e que não sabiam da presença de armas no local. A versão inicial da PM indicava um confronto armado durante a abordagem, mas as gravações contradizem essa narrativa, mostrando que Igor estava rendido quando foi baleado.
Durante as gravações, um policial ainda questionou Igor sobre seus antecedentes criminais. Após a resposta negativa do jovem, o agente o instruiu a levantar-se, momento que precedeu novos disparos. Igor foi atingido por dois tiros no tórax e um no pescoço, não resistindo aos ferimentos. O Ministério Público denunciou quatro policiais militares, sendo que dois deles foram apontados como os responsáveis pelos disparos e os outros dois como cúmplices na ação.
Na última quinta-feira (30), o Tribunal do Júri absolveu Renato Torquatto da Cruz e Robson Noguchi de Lima, enquanto o julgamento dos outros dois policiais ainda não tem data definida, uma vez que o processo foi separado. O caso levanta questões sobre a conduta da polícia e a necessidade de transparência nas ações da PM em situações de confronto.