A recente invasão ao sistema da Defesa Civil, que resultou no envio de uma mensagem falsa para celulares em diversas partes do Brasil, pode impactar a eficácia da resposta da população em situações de emergência, como enchentes e deslizamentos. Essa é a avaliação do professor de Direito da FGV, Fernando Silva Moreira dos Santos, especialista em cibersegurança.
No último sábado (20 de junho de 2026), a plataforma Defesa Civil Alerta foi desativada após a disseminação de um alerta falso contendo a palavra "misantropia". O MIDR (Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional) informou que a mensagem foi enviada por um indivíduo sem relação com o Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil. A pasta acionou a Polícia Federal para investigar o incidente e destacou que o sistema só será reativado quando as condições de segurança forem restabelecidas.
Moreira enfatiza que a credibilidade é um ativo essencial em sistemas de alerta. De acordo com ele, após um falso alarme, a confiança da população pode ser abalada, levando a uma recepção cética a novos avisos, mesmo em situações legítimas de risco. Essa hesitação, em casos de emergências reais, pode resultar em consequências graves, como a perda de vidas.
Embora o especialista reconheça que o potencial de danos foi reduzido devido à falta de clareza na mensagem do invasor, ele alerta que a situação poderia ter sido mais crítica se o alerta tivesse simulado uma emergência concreta. A criação de um cenário que exigisse evacuação ou outras ações imediatas poderia ter causado danos significativos à população.
Além disso, Moreira destaca que a mensagem falsa poderia ter sido usada para explorar a urgência e o medo da população, direcionando-a a fraudes, como cadastros falsos ou sites criminosos. Ele classifica essa situação como uma oportunidade ideal para a engenharia social, que visa enganar as pessoas para obter informações pessoais ou financeiras.
A resposta das instituições envolvidas deve ser convincente e transparente, segundo o especialista. É necessário explicar o que ocorreu, as regiões afetadas e as medidas de segurança que estão sendo implementadas para evitar novos disparos indevidos. A recuperação da confiança da população depende da clareza nas comunicações, já que a credibilidade não é restaurada através do silêncio.