O secretário de Segurança Pública do Amapá, Cézar Augusto Vieira, está sendo investigado pela suspeita de uso indevido de um veículo apreendido pela Justiça. O carro, uma Chevrolet S10, foi confiscado em uma operação policial quando Cézar Augusto exercia a função de delegado na região dos lagos. Em resposta às acusações, o secretário afirmou que "ao final irá esclarecer a verdade dos fatos" e alegou que a investigação é fruto de perseguição política devido aos "ótimos resultados de sua gestão".
As investigações iniciaram após um acidente de trânsito que levou a polícia a encontrar o veículo. O carro estava sendo conduzido por Francisco Gomes Vilhena, que, ao ser abordado, apresentou uma placa fria. Durante seu depoimento, Vilhena declarou que estava utilizando o veículo a pedido de Cézar Augusto para auxiliar em atividades relacionadas à apuração de crimes de abigeato, ou seja, furtos de gado no interior do estado. Ele também responsabilizou o secretário pela placa adulterada, afirmando que mantinha a placa original e os documentos do veículo, que são de uso exclusivo da instituição policial.
O Tribunal de Justiça autorizou a apuração do caso, considerando a gravidade das alegações e o suposto envolvimento de uma autoridade. O processo foi encaminhado à Corregedoria, onde um inquérito foi instaurado. Durante os interrogatórios, Vilhena alegou que não era servidor público, mas atuava como se fosse, reportando diretamente ao secretário sobre investigações relacionadas a furtos de gado na região. Informações disponíveis indicam que dois filhos de Vilhena têm vínculos com facções criminosas.
Cézar Augusto, em sua defesa, confirmou que o veículo era utilizado para "serviços de investigação e operações policiais". Ele reiterou que a investigação em curso "ao final irá esclarecer a verdade dos fatos" e sugeriu que a narrativa sobre o veículo é uma tentativa de desestabilizar a Segurança Pública do estado, uma vez que seus adversários políticos não conseguem criticar o trabalho dos operadores da Segurança Pública. O secretário destacou que os dados de sua gestão são claros e falam por si só.
Sobre a relação do mecânico com faccionados, Cézar Augusto afirmou que soube recentemente da situação e que Vilhena havia perdido contato com seus filhos há cerca de 12 anos. Ele acrescentou que questionou Vilhena sobre essa questão e recebeu a confirmação de que não tinha informações sobre o paradeiro deles desde então.