Chefe do Judiciário do Irã justifica rapidez nas punições para conter onda de protestos; comunidade internacional e ativistas reagem.
O Irã anunciou julgamentos sumários e execuções para manifestantes detidos, intensificando a repressão em meio a protestos generalizados e tensões internacionais.
O chefe do Judiciário do Irã, Gholamhossein Mohseni-Ejei, anunciou que manifestantes detidos nos recentes protestos contra o regime poderão ser submetidos a julgamentos sumários, com possibilidade de condenações rápidas e até execuções. Esse tipo de processo, caracterizado pela ausência de garantias básicas do devido processo legal, como direito pleno à defesa e julgamento por um tribunal independente, é considerado uma grave violação das normas jurídicas internacionais por organizações de direitos humanos.
As manifestações, que tiveram início em 28 de dezembro e se espalharam por todo o país, têm sido reprimidas com extrema violência. Organizações não governamentais estimam que mais de 2.500 pessoas já morreram desde o começo dos protestos, um número que pode ser ainda maior devido às dificuldades de comunicação.
Além disso, o levantamento aponta que a maioria das vítimas era de manifestantes, incluindo ao menos 12 crianças, e o número de presos já supera 18 mil.
Mohseni-Ejei justificou a adoção de julgamentos sumários afirmando que a rapidez das punições seria essencial para conter os protestos. “Se quisermos fazer o trabalho, temos de fazê-lo agora. Se demorarmos dois ou três meses, não terá o mesmo efeito”, declarou, evidenciando o caráter punitivo e dissuasório das medidas. A escalada repressiva elevou a tensão internacional, com o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, alertando para a possibilidade de “medidas muito fortes” caso o regime iraniano avance com as execuções.
Acesso à Informação e Resistência Digital
Paralelamente à repressão estatal, ativistas contrários ao regime informaram que o serviço de internet via satélite Starlink, da empresa de Elon Musk, começou a oferecer acesso gratuito no Irã. Essa iniciativa surge como resposta ao bloqueio quase total da internet imposto pelo governo desde 8 de janeiro, uma tática para dificultar a mobilização e a divulgação de informações sobre a repressão.
Apesar do restabelecimento parcial de chamadas telefônicas internacionais do Irã, os contatos do exterior para dentro do país permanecem restritos. Essa situação mantém a população isolada em meio ao agravamento da crise política e humanitária, dificultando a comunicação com o mundo exterior e a coordenação interna.
O cenário atual revela um Irã imerso em uma profunda crise, onde a repressão do regime se intensifica brutalmente contra a população civil. As ameaças de execuções e a restrição ao acesso à informação sublinham a gravidade da situação, enquanto a comunidade internacional observa com