Neste domingo (31/5), o exército de Israel confirmou a captura da histórica fortaleza medieval de Beaufort, localizada no sul do Líbano, onde sua bandeira foi hasteada. Este avanço representa uma nova fase na ofensiva terrestre de Israel, que busca desmantelar o grupo Hezbollah, aliado do Irã. A fortaleza é considerada um ponto estratégico para a defesa dos assentamentos na Galileia, no norte de Israel, e permite o progresso em direção à região de Nabatieh.
O ministro de Defesa de Israel afirmou que a determinação em "esmagar o poder do Hezbollah" é inabalável, visando garantir a segurança dos cidadãos que vivem ao norte de Israel. A fortaleza de Beaufort foi utilizada como base pelas forças israelenses durante a ocupação do sul do Líbano, que se encerrou em 2000.
No mesmo dia, Israel ordenou a evacuação de uma ampla área entre sua fronteira e o rio Zahrani, situado a cerca de 40 quilômetros ao norte. A medida ocorre após declarações do primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, que denunciou a estratégia de "terra arrasada" adotada por Israel, afirmando que essa abordagem não trará segurança ou estabilidade ao Líbano. Salam, em um pronunciamento televisionado, defendeu a necessidade de manter diálogos diretos com Israel, iniciados em abril, como a alternativa menos custosa para o país.
Desde o início do conflito em 2 de março, as autoridades libanesas reportaram mais de 3.371 mortes e mais de um milhão de deslocados. Por outro lado, o exército israelense anunciou a morte de um soldado em um ataque de drone atribuído ao Hezbollah, elevando o total de israelenses mortos no Líbano para 25.
O Hezbollah, por sua vez, declarou que intensificou seus ataques com foguetes contra o norte de Israel e se comprometeu a lutar para impedir o avanço das tropas israelenses, especialmente na área de Nabatieh.
Esse avanço militar de Israel ocorre em meio a negociações entre os Estados Unidos e o Irã para encerrar a guerra no Oriente Médio, com Teerã condicionando qualquer acordo ao término das hostilidades no Líbano. Uma nova rodada de diálogos entre Beirute e Tel Aviv, que não possuem relações diplomáticas, está marcada para os dias 2 e 3 de junho em Washington. Uma reunião militar já foi realizada na última sexta-feira no Pentágono, onde o Líbano não conseguiu assegurar um cessar-fogo efetivo, que está em teoria em vigor desde 17 de abril, mas que não tem sido respeitado.