O Itaú anunciou que irá devolver valores cobrados indevidamente aos seus correntistas ao longo de 14 anos, mas essa devolução será feita sem juros ou correção monetária. Isso significa que, se um cliente pagou R$ 10, receberá de volta apenas essa quantia, sem considerar a inflação ou outros encargos.
Entretanto, ao considerar os juros cobrados pelo banco no rotativo do cartão de crédito, que atualmente são de 396% ao ano, a situação muda drasticamente. Um valor de R$ 10, após um ano, poderia se transformar em R$ 3.960. Ao longo de 14 anos, esse mesmo montante chegaria a impressionantes R$ 55.440.
As cobranças indevidas foram referentes a seguros e serviços que os clientes não solicitaram, e esses valores eram lançados nas faturas do cartão de crédito. De acordo com a análise, ao considerar apenas a inflação durante esses anos, o montante de R$ 10 teria aumentado para R$ 26.
Para ter direito ao ressarcimento, os correntistas deverão comprovar que foram vítimas das cobranças indevidas. Um acordo firmado entre o Itaú, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e o Instituto de Defesa do Consumidor (idec) estabelece que apenas aqueles que registraram reclamações em canais oficiais até dezembro de 2025 poderão solicitar a devolução. Além disso, os clientes precisam demonstrar que não pediram os serviços pelos quais foram cobrados.
A magnitude das cobranças indevidas é difícil de ser dimensionada. O Itaú, que possui cerca de 100 milhões de clientes, poderia ter arrecadado R$ 16 bilhões se tivesse cobrado apenas R$ 1 de cada um deles durante o período. Contudo, de acordo com a ação coletiva que levou à confissão do banco, os valores cobrados variam de R$ 10 a R$ 30. Se for considerada uma média de R$ 20 e que apenas 10% dos clientes foram afetados, a quantia total arrecadada pelo Itaú pode chegar a R$ 33,6 bilhões.
Esses números revelam o impacto financeiro significativo que as cobranças indevidas tiveram sobre os consumidores, resultando em valores que foram retirados das contas de pessoas comuns sem o devido consentimento e que agora aguardam a devolução por parte do banco.