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Juiz suspende shows com cachês milionários em cidade de prefeito preso por corrupção

Decisão judicial no Maranhão paralisa eventos de fim de ano em Turilândia, após prisão do prefeito por suspeita de desvio de verbas e gastos considerados exorbitantes pelo Ministério Público.

Shows milionários em Turilândia, Maranhão, foram suspensos por decisão judicial após a prisão do prefeito por corrupção, gerando polêmica sobre gastos públicos.

A Justiça do Maranhão decretou a suspensão imediata de shows programados para as festas de fim de ano em Turilândia, município a 150 quilômetros de São Luís. A decisão, que acolheu um pedido do Ministério Público estadual (MPMA), paralisa apresentações com cachês milionários que estavam agendadas para celebrar o aniversário de 31 anos da cidade.

A medida surge em um contexto de grave crise política, marcada pela recente prisão do prefeito Paulo Curió (União Brasil) sob suspeita de corrupção e desvio de verbas públicas.

Os shows, que incluíam nomes como Zé Vaqueiro (com um cachê de R$ 600 mil), Isadora Pompeo, Aparelhagem Carabão e a dupla Silvânia Aquino e Berg Rabelo, foram contratados pela gestão Curió. O prefeito foi detido na quarta-feira anterior, dia 24 de dezembro, no âmbito da Operação Tântalo II, que investiga fraudes em licitações e lavagem de dinheiro envolvendo empresas de fachada e a participação de vereadores. A promotora Rita de Cássia Pereira Souza destacou o baixo IDH (0,536) de Turilândia, argumentando que o gasto de R$ 600 mil em um único artista é desproporcional às urgentes necessidades locais em saúde, educação e infraestrutura.

Irregularidades e Proibição de Pagamentos

O juiz José Ribamar Dias Júnior acatou os argumentos da Promotoria, suspendendo liminarmente os eventos e proibindo a prefeitura de realizar qualquer pagamento ou transferência financeira aos artistas envolvidos. É importante ressaltar que os artistas não são alvos da ação civil pública, e não há suspeitas sobre suas condutas; o foco da investigação do Ministério Público reside na aplicação dos recursos públicos.

A decisão foi divulgada na terça-feira, 30 de dezembro, um dia após a entrega do prefeito Curió às autoridades.

A Promotoria apontou diversas irregularidades formais nos contratos. No caso do show de Zé Vaqueiro, por exemplo, embora o cachê parecesse compatível com o mercado, não houve o detalhamento obrigatório de custos de infraestrutura e logística, conforme exigido pela Lei de Licitações (Lei 14.133/2021).

Para os demais artistas, o Ministério Público afirmou que sequer foram encontrados registros dos contratos no Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP), o que compromete a legalidade dos atos administrativos.

A gestão municipal de Turilândia, agora sob o comando do vereador José Luiz Araújo Diniz, o ‘Pelego’ (União Brasil), que também está sob investigação, foi notificada sobre a decisão. Em caso de descumprimento, o juiz impôs uma multa diária de R$ 100 mil, a ser aplicada pessoalmente ao prefeito e ao secretário de Cultura e Turismo.

A Polícia Militar foi acionada para garantir que os shows não fossem realizados, e os artistas seriam alertados sobre a necessidade de restituir valores caso os recebessem após a notificação judicial.

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