A Justiça da Itália, por meio da Corte de Cassação, decidiu anular a extradição da ex-deputada Carla Zambelli, do PL de São Paulo, devido a uma suposta parcialidade do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão foi divulgada na última sexta-feira, 12, e aponta que Moraes atuou em "dupla veste", tanto como julgador quanto como pessoa afetada pelos crimes imputados à ex-parlamentar.
Em sua análise, a Corte destacou que existem "múltiplos elementos capazes de fazer duvidar da imparcialidade" de Moraes, que teria assumido um papel conflituoso ao participar do processo como juiz responsável e ao mesmo tempo como vítima de um dos crimes cometidos por Zambelli. A ex-deputada foi condenada por sua ligação com a invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e por porte ilegal de arma durante as eleições de 2022.
O envolvimento de Zambelli no caso inclui a contratação do hacker Walter Delgatti Neto, que inseriu um mandado falso de prisão contra Moraes no sistema judicial, no qual constava um pedido para que fosse expedido um mandado de prisão em seu desfavor. A Justiça italiana argumentou que Moraes incorreu em um "acúmulo atípico de funções judiciais", participando das investigações e sendo o juiz que analisou o mérito do caso.
O acórdão da nova decisão da Justiça italiana ressalta que Moraes foi designado relator do procedimento penal contra Zambelli e que ele participou ativamente da decisão sobre sua condenação, além de ter redigido o pedido de extradição e expedido mandados relacionados ao caso. Essa situação gerou questionamentos sobre a imparcialidade do julgamento.
O caso ainda está pendente de uma manifestação do ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio, que tem um prazo de 45 dias para se pronunciar a partir da decisão da Corte de Cassação. Antes dessa nova deliberação, a Justiça italiana vinha se posicionando a favor da extradição de Zambelli em dois processos pelos quais ela foi condenada pelo STF. A defesa da ex-deputada recorreu à Corte de Cassação após decisões anteriores favoráveis à extradição.
Vale lembrar que Zambelli teve seu mandato parlamentar cassado pela Justiça eleitoral de São Paulo em 2025. Em um momento emblemático de sua defesa, Zambelli mencionou: "Hoje é dia 22 de maio de 2026, dia de Santa Rita, nome da minha mãe e da pessoa que era minha companheira de cela."