A renomada cirandeira pernambucana Lia de Itamaracá se junta à cantora baiana Daúde em um novo álbum que promete celebrar a música popular brasileira. O projeto, que será lançado pelo Selo Sesc, está previsto para o segundo semestre deste ano e é fruto de uma colaboração que já encanta o público em palcos desde 2018.
As gravações foram realizadas no estúdio Da Pá Virada, em São Paulo, sob a direção artística de Marcus Preto e produção musical de Pupillo Oliveira, conhecido por seu trabalho na Nação Zumbi. O repertório do álbum mescla canções inéditas e clássicos do cancioneiro nacional, incluindo composições criadas especialmente para Lia e Daúde por nomes como Emicida, Otto e Karina Buhr.
“Sou ciranda desde menina. Trago no corpo as águas da minha ilha. E agora, com Daúde, senti que minha voz ganhou outros caminhos. É como se o vento do mar soprasse também no palco. A gente canta juntas e parece reza, parece celebração”, declara Lia de Itamaracá, expressando sua alegria com a parceria.
Além das faixas em dueto, o álbum reserva momentos solo para cada artista. Lia revisita o bolero “Quem é”, sucesso na voz de Agnaldo Timóteo, explorando sua paixão pelo gênero, já demonstrada em seu álbum “Ciranda Sem Fim” (2019). Daúde, por sua vez, interpreta “Galeria do Amor”, canção de Agnaldo Timóteo que exalta a liberdade e a diversidade.
Daúde descreve a parceria como uma união orgânica e potente. “Começamos a participar dos shows uma da outra e logo percebemos que precisávamos registrar esse encontro potente, cheio de vertentes, magias e música”, afirma. “Temos diferenças de gênero musical, mas nos entrelaçamos de forma orgânica. Não existe a cantora urbana e a cantora da cultura popular. Existe emoção, escuta e conexão. Conseguimos, dentro desse caldeirão, nos entrosar e criar um trabalho incrível. Estar ao lado de Lia, uma mulher vitoriosa, é para mim um reforço: tudo é possível”.
O novo álbum marca o retorno de Lia de Itamaracá aos lançamentos, após o aclamado “Ciranda Sem Fim” (2019). Sua discografia inclui também os emblemáticos “A Rainha da Ciranda” (1977) e “Eu sou Lia” (2000).