Na quinta-feira, 18 de junho, o presidente Lula realizou diversas ligações ao senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, após a operação da Polícia Federal (PF) que o investigou no âmbito do Caso Master. Em uma das conversas, Wagner atendeu Lula no viva-voz, em seu escritório político em Salvador, e foi acompanhado por aliados que relataram um tom amistoso no diálogo.
Durante a ligação, Lula expressou solidariedade a Jaques, conforme relataram os presentes. A possibilidade de o senador se afastar da liderança do governo no Senado não foi discutida, apesar de uma ala do Planalto defender essa saída em razão das investigações em curso. Contudo, aliados de Wagner lembraram que o vínculo entre ele e Lula é de longa data, com mais de 40 anos de amizade e parceria política dentro do PT.
Apesar do clima de tensão envolvido no caso, houve espaço para leveza na conversa. Jaques Wagner brincou com Lula, mencionando que, em anos eleitorais, é frequentemente “sorteado” para ser alvo de operações de busca e apreensão.
A conversa amigável deixou uma impressão positiva entre os interlocutores de Wagner. Eles acreditam que Lula mantém a confiança no senador, o que sugere que, pelo menos neste momento, não há planos para sua substituição na liderança do governo no Senado.
Wagner foi alvo de busca e apreensão nesta quinta-feira em razão de mensagens obtidas do celular de Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, que indicam sua possível influência no Congresso em favor do Banco Master. Entre as ações suspeitas estão tentativas de apoio a uma proposta de ampliação do crédito consignado e a chamada “Emenda Master”, proposta pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI).
A Polícia Federal investiga se o senador pode ter recebido vantagens indevidas, que incluem um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,5 milhões, além de outras regalias que totalizariam ao menos R$ 3 milhões.