Presidente francês cita 'rejeição política unânime' e se junta à Irlanda na oposição, enquanto protestos de agricultores intensificam pressão interna.
Emmanuel Macron confirma que a França votará contra o acordo UE-Mercosul, citando forte oposição interna e a necessidade de proteger agricultores.
O presidente francês, Emmanuel Macron, confirmou nesta quinta-feira (8) que a França votará contra o acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul. A decisão, que se baseia em uma “rejeição política unânime”, reflete as preocupações do país, apesar de Macron reconhecer “avanços inegáveis” nos termos negociados pela Comissão Europeia.
A oposição francesa adiciona um peso significativo aos desafios que o pacto enfrenta para sua ratificação final.
Macron enfatizou que a “rejeição política unânime” ao acordo foi claramente demonstrada pelos recentes debates na Assembleia Nacional e no Senado. O presidente reiterou seu compromisso em “lutar pela implementação plena e concreta dos compromissos assumidos pela Comissão Europeia e para proteger nossos agricultores”.
A posição da França segue o anúncio da Irlanda, que também indicou seu voto contrário ao acordo horas antes.
A resistência ao acordo não é nova. Em dezembro, o pacto já enfrentava a oposição de nações como Itália, Hungria e Polônia, o que levou ao adiamento da assinatura esperada durante a cúpula do Mercosul em Foz do Iguaçu. A complexidade de conciliar os interesses dos países-membros da UE com as condições do acordo tem sido um obstáculo constante.
Protestos de Agricultores Intensificam Pressão Doméstica
A postura do governo Macron é diretamente influenciada pela forte pressão interna. Mais cedo no dia, agricultores franceses realizaram protestos massivos, ocupando pontos icônicos de Paris, como o Arco do Triunfo e a Torre Eiffel, e confrontando figuras políticas.
Os ruralistas acusam o governo de negligenciar o setor agrícola, que enfrenta uma crise prolongada. A oposição ao acordo UE-Mercosul, embora expressiva em Bruxelas, é vista como insuficiente para acalmar as tensões domésticas.
Enquanto a França se solidifica na oposição, a posição da Itália permanece crucial e, de certa forma, ambivalente. Notícias anteriores indicavam uma propensão do governo italiano a aceitar o tratado.
Contudo, o ministro da Agricultura, Francesco Lollobrigida, condicionou nesta quinta-feira o aval do país a mudanças nas cláusulas de salvaguarda. A votação dos europeus sobre o acordo está prevista para sexta-feira (9), e o voto italiano é considerado decisivo para o futuro do pacto de livre comércio.
A situação geopolítica global adiciona uma camada de urgência estratégica à concretização do tratado, apesar das resistências internas.