Um levantamento realizado pela Associação Americana do Serviço Exterior indica que mais da metade das representações diplomáticas dos Estados Unidos no exterior está sem embaixador. Dos 195 postos analisados, 107 estão vagos, o que representa 54,9% do total. Essa situação reflete uma crise diplomática crescente entre Brasília e Washington, com o Brasil sendo um dos países que ainda não concedeu aprovações necessárias.
Atualmente, 35 das embaixadas sem chefe já têm nomes indicados, mas estão aguardando a finalização do processo de credenciamento. Em junho de 2026, o presidente Donald Trump indicou Daniel Perez, advogado e deputado republicano, para ocupar a vaga no Brasil. No entanto, a nomeação ainda não recebeu a confirmação do Senado americano, o que deixa a representação brasileira sem um embaixador.
A falta de resposta do governo brasileiro levou o Departamento de Estado dos EUA a revogar o visto da embaixadora Maria Luiza Ribeiro Viotti, intensificando a crise entre os dois países. A situação é ainda mais crítica na África, onde 39 das 51 representações diplomáticas estão sem embaixador, totalizando 76,5% dos postos vagos. Na América Latina e no Caribe, a taxa de embaixadas sem chefia é de 60,7%, com 17 vagas em aberto entre as 28 representações monitoradas.
Alguns países da região que costumam ter uma relação mais próxima com os EUA, como El Salvador, Paraguai e Equador, também enfrentam a ausência de embaixadores, apesar de já terem novos nomes indicados. Em contraste, Argentina, Chile, Uruguai e Peru têm embaixadores confirmados em seus postos.
Além disso, existem postos vagos em nações estratégicas para as negociações no Oriente Médio, como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Qatar e Paquistão. A Ucrânia e a Rússia, que estão em conflito, também têm embaixadas sem chefia, o que levanta preocupações sobre a política externa americana.
A diplomacia dos EUA sob a administração de Trump é coordenada por Marco Rubio, um crítico da esquerda Na América Latina. Os principais colaboradores na política externa são alinhados ao presidente e muitos fazem parte de seu círculo próximo. Steve Witkoff atua como enviado especial para missões diplomáticas de alto nível, enquanto Jared Kushner, genro de Trump e assessor sênior, se concentra nas negociações no Oriente Médio.