A Corte de Apelações de Paris autorizou Marine Le Pen a concorrer às eleições presidenciais de 2027, embora sob a condição de usar uma tornozeleira eletrônica. A parlamentar, que é uma figura proeminente da ultradireita na França, teve seu recurso parcialmente negado em relação a uma condenação por peculato, proferida nesta terça-feira (7). Com essa decisão, ela se vê diante de um dilema logístico para sua campanha, o que pode levar à escolha de Jordan Bardella, atual presidente do seu partido, a Reunião Nacional, como candidato.
O tribunal impôs a Le Pen uma sentença de três anos de prisão, dos quais dois anos foram suspensos, além de um ano com o uso do dispositivo eletrônico. Sua inegibilidade foi fixada em 45 meses, mas com a suspensão da pena por 30 meses, um período que já foi cumprido. Além disso, a parlamentar foi multada em 100 mil euros, o equivalente a R$ 580 mil.
A possibilidade de concorrer com uma tornozeleira eletrônica é uma situação incomum e desafiadora para Le Pen, que já havia se manifestado contra a ideia de uma campanha sob vigilância. Embora ela ainda possa apelar para a Corte de Cassação, a parlamentar já indicou que não pretende prolongar o processo judicial. Em 2025, Le Pen havia sido condenada por desvio de recursos do Parlamento Europeu, totalizando 1,4 milhão de euros (R$ 8,1 milhões), que foram utilizados para pagar funcionários de seu partido.
Le Pen, que atuou como eurodeputada de 2004 a 2017, tem uma entrevista marcada para a televisão na noite europeia. Durante seu depoimento ao tribunal, ela negou manter um esquema fraudulento, mas reconheceu erros na administração de seus assistentes parlamentares. A expectativa é que a líder da ultradireita e seus aliados denunciem um possível ativismo judicial, visto que a decisão do tribunal impacta diretamente o cenário eleitoral do próximo ano.
Como filha de Jean-Marie Le Pen, fundador da Frente Nacional em 1972, Marine Le Pen tem se esforçado para tornar seu partido mais aceitável ao eleitorado francês ao longo da última década. Ela afastou o pai de sua trajetória política e rebatizou a legenda, que, em 2022, conseguiu eleger 143 deputados na Assembleia Nacional, estabelecendo a maior bancada do atual Parlamento francês.
Jordan Bardella, de 30 anos, é considerado a nova cara da Reunião Nacional e tem se destacado por sua habilidade nas redes sociais, defendendo os princípios da ultradireita europeia. Além de sua atuação política, Bardella é namorado da aristocrata italiana Carolina de Bourbon-Duas Sicílias, que também é influenciadora digital. Essa relação é vista por observadores como uma estratégia para suavizar a imagem política de Bardella, em um movimento semelhante ao que Le Pen realizou em sua trajetória.