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Marinha do Brasil intensifica combate ao tráfico com formação de mergulhadores de elite

Com a nova estratégia do tráfico internacional de drogas, mergulhadores da Marinha do Brasil têm atuado em operações no Porto de Santos, resultando em...
Foto: Marinha/Divulgação

A profundidade de 10 metros é o cenário em que mergulhadores da Marinha do Brasil enfrentam uma nova tática do tráfico internacional de drogas. Os criminosos têm escondido carregamentos de cocaína em compartimentos conhecidos como sea chests, que são utilizados para captar água e refrigerar o maquinário das embarcações. Desde 2020, os militares do Comando do Grupamento de Patrulha Naval do Sul-Sudeste, sediado em Santos (SP), já participaram da apreensão de mais de quatro toneladas de drogas em cerca de 300 navios mercantes, em operações realizadas em colaboração com a Polícia Federal e a Receita Federal.

A mais recente operação ocorreu em maio de 2023, quando os mergulhadores inspecionaram o navio mercante Green K-Max 1 e descobriram mais de 340 quilos de cocaína escondidos em uma dessas estruturas submersas. Um mergulhador escafandrista, com 23 anos de experiência na função, destacou que uma das maiores apreensões foi registrada em abril de 2023, quando foram encontrados 780 quilos de drogas em uma única embarcação.

Apesar de o combate ao narcotráfico ser uma missão relativamente nova para os escafandristas, a atuação em ambientes subaquáticos complexos é parte da rotina desses profissionais. As abordagens a cargueiros têm se tornado cada vez mais frequentes, levando a Marinha a incluir esse tipo de operação nos cursos de formação dos mergulhadores. Além da busca por drogas, eles são treinados em salvamento, corte e solda submarina, resgate de navios e aeronaves, além de diversas modalidades de mergulho.

A formação dos escafandristas é considerada uma das mais rigorosas dentro da Marinha. Phillip Mendes, do Comando do Grupamento, revelou que aproximadamente metade dos alunos não consegue concluir o curso, que exige uma seleção rigorosa com exames médicos, avaliações psicológicas e provas físicas. Os candidatos enfrentam uma série de testes em um único dia, incluindo corrida, natação de 800 metros, natação de 50 metros, apneia dinâmica e estática, além de exercícios de força.

Em média, a formação de um mergulhador leva cerca de 12 meses, após os quais eles podem ser designados para diferentes unidades ao longo do país. Nesses locais, executam missões que variam do salvamento de vidas e embarcações até reparos submarinos e apoio em operações contra o crime organizado. Um oficial da Marinha destacou que o treinamento intenso capacita os mergulhadores a atuar sob grandes adversidades, mesmo com recursos limitados, consolidando sua reputação tanto no meio militar quanto no civil.

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