O presidente Javier Milei, da Argentina, declarou que a aliança com Os Estados Unidos é fundamental para a recuperação das Ilhas Malvinas. A afirmação foi feita em entrevista à Rádio Mitre no dia 3 de agosto de 2026. Desde 1833, o arquipélago está sob administração do Reino Unido, que ainda é alvo de reivindicações por parte da Argentina.
Milei ressaltou que seu governo conseguiu avanços significativos na defesa da soberania argentina sobre as ilhas, mais do que qualquer outro desde a redemocratização. Ele argumentou que a aproximação com Washington fortalece a posição diplomática da Argentina, afirmando que "Os Estados Unidos mudaram a sua visão estratégica do mundo" e que a Argentina se apresenta como um aliado confiável entre o Atlântico e o Pacífico. "Essa é a chave que nos vai permitir recuperar as Malvinas", enfatizou.
Durante a entrevista, o presidente também mencionou que, pela primeira vez, a Organização das Nações Unidas (ONU) exigiu que o Reino Unido iniciasse diálogos sobre a questão das Malvinas. Embora a ONU tenha aprovado resoluções que incentivam negociações entre Argentina e Reino Unido ao longo dos anos, essas decisões não são vinculativas e não resultaram em tratativas formais entre Londres e Buenos Aires.
Milei ainda criticou a vice-presidente Victoria Villarruel, atribuindo a ela a criação de uma tensão diplomática com o Reino Unido durante a Copa do Mundo de 2026. Às vésperas da semifinal entre Argentina e Inglaterra, Villarruel publicou em suas redes sociais que a seleção enfrentaria os "piratas usurpadores" e "invasores", em referência à Guerra das Malvinas. O presidente afirmou que essa declaração gerou contatos diplomáticos entre os dois países e reiterou sua crítica à vice-presidente, chamando-a de "irrelevante" no governo.
Além disso, Milei abordou o projeto Sea Lion, que envolve a exploração de petróleo e gás em áreas próximas às Malvinas por empresas britânicas e israelenses. O presidente informou que a Argentina apresentou protestos diplomáticos contra essa iniciativa. Ele reconheceu a aparente contradição de seu governo manter boas relações com Estados Unidos e Israel enquanto se opõe ao projeto, mas defendeu que se trata de um empreendimento privado, afirmando que "num país sério não se interfere no setor privado".