O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, declarou nesta quarta-feira (19 de agosto de 2026) que o processo de reciprocidade comercial contra os Estados Unidos não deve ser finalizado antes de dezembro. O governo brasileiro planeja aproveitar os próximos meses para coletar informações sobre os efeitos das tarifas aplicadas pelos EUA.
O procedimento foi iniciado após o Brasil comunicar a medida aos demais participantes do processo e aos Estados Unidos. Os ministérios têm um prazo de até 60 dias para apresentar dados que ajudarão na elaboração de um relatório sobre os impactos das tarifas.
"Acho que não terá tempo para terminar antes de dezembro nenhum processo de reciprocidade", afirmou o ministro durante o 5º Fórum Saúde, promovido pela Esfera EMS, em Brasília. A expectativa, , é que o Brasil consiga negociar com os Estados Unidos e "resolver, ou pelo menos aplacar minimamente as questões" até o final do ano.
O contato inicial com os Estados Unidos consistiu apenas em uma comunicação sobre o início do procedimento, e ainda não se definiu qual medida de reciprocidade será aplicada. O ministro classificou as tarifas impostas pelos EUA como uma "barreira comercial", considerando-as "ilegais", "indevidas" e "abusivas". De acordo com ele, cerca de 47% das exportações brasileiras para os EUA estão sujeitas a tarifas que variam entre 12,5%, 25% e 37,5%.
Dentre essas exportações, 16% estão sujeitas à tarifa máxima de 37,5%. O impacto total sobre a balança comercial será avaliado ao final do ano. Elias Rosa ressaltou que, embora a participação dos Estados Unidos na pauta exportadora brasileira tenha diminuído, as exportações para outros países, como Egito, Índia, Peru, Vietnã e China, têm apresentado um desempenho positivo.
O ministro também rejeitou a ideia de que as negociações comerciais com os Estados Unidos estejam ligadas ao calendário eleitoral brasileiro, enfatizando a importância da diversificação do mercado. Ele destacou que a Asean, como bloco, é o quinto maior parceiro comercial do Brasil e que as regiões da Ásia e da União Europeia são fundamentais para ampliar as exportações brasileiras.