Wellington Koo Li-hsiung alerta para a intensificação das incursões militares e táticas de 'guerra cognitiva' de Pequim, enquanto Taipé busca fortalecer suas defesas com apoio dos EUA.
O ministro da Defesa de Taiwan alerta para a ameaça "urgente e real" da China, que intensifica incursões militares e táticas de guerra cognitiva, buscando desensibilizar a população.
O ministro da Defesa de Taiwan, Wellington Koo Li-hsiung, emitiu um alerta nesta sexta-feira (6), afirmando que a repetição de exercícios militares da China ao redor da ilha pode levar a uma perigosa desensibilização da população taiwanesa, embora a ameaça imposta por Pequim seja, segundo ele, imediata e concreta.
Em declarações à agência estatal CNA, Koo Li-hsiung detalhou que Pequim tem intensificado as chamadas “patrulhas de aplicação da lei” em ilhas periféricas e nas proximidades da linha média do Estreito de Taiwan. O objetivo seria criar a falsa percepção de que a região é parte integrante das águas territoriais chinesas.
A pressão, conforme o ministro, não se restringe ao plano militar, abrangendo também ciberataques e intrusões digitais, configurando uma estratégia de “guerra cognitiva” que combina instrumentos políticos, econômicos, militares e psicológicos.
Dados oficiais revelam um avanço significativo das incursões chinesas. Em 2025, aeronaves principais e de apoio do Exército chinês cruzaram a linha média do Estreito de Taiwan e ingressaram na Zona de Identificação de Defesa Aérea taiwanesa em 3.764 ocasiões, um aumento de cerca de 23% em relação às 3.066 incursões registradas no ano anterior. No mesmo período, navios de guerra entraram na área em 2.640 oportunidades, frente a 2.475 em 2024, representando um crescimento aproximado de 7%.
Fortalecimento da Defesa Taiwanesa
Em resposta à crescente ameaça, Koo destacou que a capacidade produtiva vinculada às compras de armamentos dos Estados Unidos tem se recuperado gradualmente. Washington, segundo ele, passou a conceder a Taipé o mesmo tratamento dado aos países do chamado NATO Plus, o que deve agilizar procedimentos administrativos e reduzir prazos de notificação ao Congresso norte-americano.
Este grupo inclui importantes aliados dos EUA fora da Aliança Atlântica, como Japão, Austrália, Coreia do Sul, Israel e Nova Zelândia.
Caso o orçamento geral do governo seja aprovado sem entraves, o ministro previu que os tanques M1A2T poderão ser entregues integralmente ainda neste ano. Sistemas HIMARS, mísseis Harpoon, munições Switchblade 300 e drones Altius 600 e MQ-9B também devem chegar em lotes ao longo do exercício fiscal, fortalecendo significativamente as capacidades defensivas da ilha.
As declarações de Koo ocorrem dias após uma conversa telefônica entre os presidentes dos Estados Unidos e da China, na qual Xi Jinping teria advertido Donald Trump a tratar com “máxima prudência” a venda de armas à ilha autogovernada. Contudo, a proposta de Taipé para um orçamento especial de Defesa de 1,25 trilhão de dólares taiwaneses (cerca de 33,4 bilhões de euros) para o período de 2026 a 2033, destinado principalmente à aquisição de equipamentos militares dos EUA, permanece bloqueada no Parlamento pelos partidos de oposição Kuomintang e Partido Popular de Taiwan, que detêm uma maioria estreita de cadeiras.