Milhares desafiam frio intenso para manifestar contra operações do ICE após mortes em Minneapolis e exigir o fim da perseguição a imigrantes.
Milhares de nova-iorquinos desafiam o frio para protestar contra o ICE, após mortes em Minneapolis, exigindo justiça e o fim da perseguição a imigrantes.
Milhares de nova-iorquinos desafiaram o frio intenso e a neve para aderir a um protesto nacional contra as operações do Immigration and Customs Enforcement (ICE), a agência de imigração dos Estados Unidos. O movimento, impulsionado por um chamado vindo de Minneapolis, onde agentes da imigração foram implicados na morte de dois cidadãos norte-americanos, exigiu uma paralisação geral em Nova York, com manifestantes clamando por justiça e o fim da perseguição a imigrantes.
A mobilização teve seu epicentro na Foley Square, a poucos metros da Prefeitura de Nova York e da sede local do ICE. Apesar da sensação térmica de aproximadamente 14 graus negativos e da cidade ainda coberta pela recente nevasca, a determinação dos manifestantes era visível. Jovens, munidos de pás, trabalhavam para remover o gelo e garantir a segurança dos presentes, enquanto a multidão erguia cartazes com mensagens como “Cortem o financiamento do ICE!” e “Justiça por Alex Pretti”.
A Onda de Indignação e o Apelo Nacional
A onda de protestos foi catalisada pelas mortes de Renee Good e Alex Pretti em Minneapolis, eventos que intensificaram a retórica e as ações contra o ICE e a administração de Donald Trump. Organizações de defesa dos direitos dos imigrantes amplificaram o chamado de Minnesota, destacando que “não pode haver negócios como de costume enquanto o ICE mata nossos vizinhos, sequestra nosso povo e aterroriza o país.” A greve geral massiva em Minnesota, que reuniu mais de 100 mil pessoas, serviu de inspiração e motivação para a mobilização em Nova York.
Testemunhos pessoais, como o de Jon, um nova-iorquino que expressou cansaço diante da situação e o medo pelo povo de Minnesota, sublinharam a gravidade do momento. Ele criticou as “ações cada vez mais fora de controle” do governo Trump, que, segundo ele, está “obcecado por essa perseguição aos imigrantes.”
Em resposta à crescente pressão e aos confrontos, o governo Trump demonstrou uma aparente disposição para aliviar as tensões, afastando Gregory Bovino, apontado como “comandante-chefe” das operações da Agência de Alfândegas e Proteção de Fronteiras em Minneapolis. Bovino foi realocado para seu antigo posto na Califórnia.
No entanto, a imprensa local indicou que, apesar do recuo, não houve mudanças significativas nas práticas do ICE na cidade, o que não foi suficiente para desmobilizar os manifestantes.
A solidariedade ao movimento se estendeu ao setor empresarial. Empresas e pequenos negócios aderiram ao chamado de paralisação.
A Plusable, uma empresa de relações públicas de Nova Jersey liderada por luso-americanos, destacou que sua adesão não era uma posição partidária, mas um “apelo humano e cívico” diante de um clima de apreensão que afeta o espírito americano e tem impactos reais na segurança e na economia. A expectativa é que o protesto estimule a reflexão e leve a administração a agir com mais solidariedade e responsabilidade.


