Em política, poucas coisas são tão impopulares quanto imposto. Mas poucas coisas são tão poderosas quanto imposto. Ele é o termômetro do cotidiano: está na nota fiscal, no contracheque, no frete, no combustível, na conta de luz, no carrinho do supermercado. E quando o Estado toca no bolso, o eleitor não pede power point. Pede explicação — e, se não vier, pede culpado.
A reeleição de um governo depende de uma equação simples e cruel: “minha vida melhorou ou piorou?”. O imposto vira aliado quando o governo consegue fazer o cidadão responder “menos”, “sim” e “sim”. Mas quando a resposta vira “mais”, “não” e “não vejo nada”, o imposto vira armadilha.
Há impostos que ajudam politicamente porque parecem alívio, não punição. Medidas que reduzem ou corrigem a mordida para grandes contingentes — sobretudo sobre renda do trabalho — têm um ganho imediato: o eleitor entende sem legenda. O problema é que alívio precisa ser sentido. Se o governo anuncia e o povo não percebe, vira propaganda vazia: a promessa fica grande, a sensação fica pequena.
Outra forma de transformar tributo em ativo eleitoral é vestir o tema com a roupa da justiça. Há uma demanda social real por correção de distorções: brechas, privilégios, atalhos, penduricalhos, sonegação, zonas cinzentas onde uns pagam muito e outros pagam pouco. O discurso “quem pode contribuir mais” costuma encontrar eco, desde que o alvo seja bem desenhado.