Déficit bilionário de empresas estatais, liderado pelos Correios, agrava o cenário fiscal e compromete a gestão de futuros governos.
O déficit bilionário das estatais, especialmente dos Correios, agrava as contas públicas, prometendo impactar severamente futuros governos e a economia nacional.
A insistência do atual governo em menosprezar a necessidade de equilíbrio nas contas públicas, reduzindo despesas e impedindo gastos além da capacidade de pagamento, tem gerado um peso significativo que os brasileiros, inevitavelmente, arcarão nos próximos anos. O desequilíbrio na balança das estatais é um dos fatores mais alarmantes, cuja conta chegará para a população e para o próximo presidente da República, que enfrentará dificuldades de gestão devido ao acúmulo da dívida pública.
O legado fiscal deste governo já se desenha com desafios consideráveis.
Em 2025, o resultado primário de 19 empresas estatais atingiu R$ 5,1 bilhões no vermelho. Embora este valor esteja no limite da previsão orçamentária, o déficit elevado continua a pressionar o desequilíbrio nas contas, aumentando a dívida e postergando a resolução de um pendura bilionário para os anos seguintes. Nesse cenário, os Correios se destacam negativamente, registrando prejuízos e déficits contínuos desde a gestão anterior. Apesar dos ajustes anunciados, a situação da empresa é de crise aguda, demandando injeção de bilhões do governo federal para cobrir seus buracos e manter a operacionalidade.
Impacto no Setor Público e na Economia
O déficit primário de todo o setor público, que engloba governos estaduais e municipais, superou a cifra de R$ 55 bilhões em 2025, de acordo com dados do Banco Central. Esse valor representa um aumento significativo em relação aos R$ 47,5 bilhões registrados em 2024 e aos quase R$ 250 bilhões (equivalente a 2,2% do Produto Interno Bruto – PIB) de 2023.
Como estados e municípios apresentaram saldos positivos no ano passado, o peso da administração federal foi o principal motor desse impacto nas contas públicas, comprometendo todo o setor e ampliando a dívida que será herdada pelo próximo ocupante do Planalto.
O comportamento pouco afeito à responsabilidade fiscal, independentemente do governo, gera descrédito no mercado e desestimula investimentos na economia. Quanto mais frouxos forem os gastos, pior a perspectiva de crescimento e de melhoria social para a população.
O discurso populista, que repete o mantra de que governo bom é aquele que gasta, ignora que um governo verdadeiramente bom gasta com inteligência, avaliando as consequências para a coletividade, e não apenas para proveito político de curto alcance.
Os juros básicos prosseguem em patamares elevados para barrar a inflação, entre outros fatores, em grande parte devido à teimosia do governo federal em não promover o enxugamento dos gastos dos ministérios. Com juros altos, a dívida pública dispara, um cenário agravado pela colaboração do Congresso Nacional, que insiste em elevar o quinhão bilionário das emendas parlamentares.
Essa trajetória fiscal insustentável projeta um futuro preocupante. A estimativa de que a dívida bruta pode se aproximar de 80% do PIB até 2027 é desestabilizadora para a economia e para o setor público.
Tal patamar pode levar a um “apagão” comprometedor, afetando até mesmo as despesas obrigatórias e inviabilizando a capacidade do Estado de cumprir com suas funções essenciais.


