Onde a informação circula

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Censura à internet no Irã e restrições a jornalistas na Venezuela exemplificam a importância vital da liberdade de comunicação para a democracia.

Às voltas com mais uma onda de protestos, o regime do Irã bloqueou a internet no país para conter a disseminação da contrariedade popular e impedir encontros via mensagens instantâneas. Simultaneamente, na Venezuela, jornalistas enfrentam restrições severas ou são proibidos de exercer seu trabalho, em um cenário de autoritarismo persistente.

Ambos os casos ilustram facetas comuns de regimes totalitários e líderes que preferem ocultar-se na censura a se expor à população.

Não é coincidência que o jornalismo seja um alvo comum e preferencial de ditadores e aspirantes a autocratas. Onde a informação circula, a liberdade, mesmo cerceada, se insinua. A imprensa expõe fatos, divulga opiniões e traz à esfera pública contradições, equívocos e suspeitas sobre governantes e integrantes dos poderes, bem como suas relações com a iniciativa privada. Infelizmente, interesses alheios ao coletivo frequentemente se unem contra o jornalismo, visto como uma ameaça de desestabilização.

O Cerceamento da Informação como Ferramenta de Controle

O corte da internet em território iraniano obedece à cartilha do silenciamento e da repressão. Embora não seja uma novidade para os iranianos, a onda de manifestações recentes parece ter gerado repercussões que abalam o regime, a ponto de enxergar a circulação de informações como um risco elevado.

O bloqueio do fluxo das redes foi, assim, aplicado sem piedade, como um manto gigante jogado sobre um incêndio de descontentamento popular. No entanto, a insatisfação popular não se dirime facilmente.

Na Venezuela, o impedimento da entrada de jornalistas e a proibição do uso de câmeras tampouco são medidas estranhas à população ou aos profissionais que se arriscam para levar notícias ao público. O governo da nova ditadora, Delcy Rodriguez, pode ser ainda mais duro com a imprensa que o de Maduro, atualmente preso em Nova York.

Rodriguez assume em um momento conturbado, com a Casa Branca divulgando que a Venezuela está sob tutela dos EUA, tanto para negócios do petróleo quanto para decisões de governo. Se a ex-vice aperta o cerco a jornalistas, deve ter não somente o aval, mas o incentivo de Trump, que também não aprecia ser contrariado pelos jornais e mantém o hábito de inventar notícias falsas.

O que acontece na rotina de nações aprisionadas pelo totalitarismo, e transparece mais nas crises como as que passam Irã e Venezuela, deve servir de alerta às instituições nos países em que a liberdade pode respirar sem aparelhos. A informação livre é o ar que circula no ambiente da democracia, essencial para a transparência e a fiscalização do poder.

Proteger a liberdade de imprensa e o acesso à informação é defender a própria essência de uma sociedade aberta e justa.

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