A decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de trancar o procedimento do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) que investigava irregularidades em contratos milionários firmados pela Prefeitura do Recife foi publicada na última sexta-feira (30/01), dois dias após o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) autorizar a continuidade do trabalho dos promotores. A investigação do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), iniciada em outubro de 2024, aponta indícios de fraude, conluio e lavagem de dinheiro em pelo menos dois contratos, cujos valores somariam mais de R$ 118 milhões.
A investigação deu origem à operação Barriga de Aluguel, deflagrada em agosto de 2025, para cumprir mandados de busca e apreensão contra investigados.
Pouco depois, por decisão do juiz Rildo Vieira da Silva, da Vara dos Crimes Contra a Administração Pública e a Ordem Tributária do Recife, a investigação foi paralisada. O magistrado é pai de Lucas Vieira Silva, candidato que havia ficado em 63º lugar no concurso público para procurador municipal. Dois anos depois, a gestão João Campos homologou o resultado com a reinscrição de Lucas por diagnóstico de autismo, levando o candidato a ser aprovado nas vagas afirmativas – em dezembro de 2025. Com a repercussão do caso e críticas à alteração da lista de classificados, a prefeitura voltou atrás da nomeação.
Em decisão unânime na última quarta-feira (28/01), a 2ª Câmara Criminal do TJPE validou as provas colhidas pelo Gaeco na operação Barriga de Aluguel, afastando a tese de nulidade e permitindo a continuidade da apuração.


