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Pagamentos feitos por Deputados do Piauí a cartões de Ciro Nogueira são revelados por Coaf

Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras indicam que dois deputados federais do Piauí realizaram pagamentos de faturas de cartões de crédito do...
Foto: KEBEC NOGUEIRA/ METRÓPOLES @kebecfotografo

Dois deputados federais do Piauí efetuaram pagamentos de faturas referentes a cartões de crédito do senador Ciro Nogueira (PP-PI), conforme revelações feitas pelos relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). As informações foram tornadas públicas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira, 16 de outubro de 2024. Os dados indicam que tais transações podem ser uma tentativa de ocultar a verdadeira origem, destino e beneficiários dos recursos envolvidos.

Os pagamentos foram realizados em junho de 2024 pelos deputados Júlio Arcoverde e Átila Lira, ambos aliados de Ciro Nogueira. As faturas, emitidas pelo Banco de Brasília (BRB), totalizavam R$ 13,6 mil e R$ 3,4 mil, valores que foram pagos, respectivamente, por Arcoverde e Lira. Essa situação levanta questões sobre a transparência e a legalidade das movimentações financeiras realizadas pelos parlamentares.

O relatório do Coaf integra uma investigação em curso no STF que analisa a conduta de Ciro Nogueira em relação ao Banco Master, cujo processo está sob a relatoria do ministro André Mendonça. A investigação apura a relação do senador com Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, e investiga se Nogueira foi favorecido por Vorcaro por meio de pagamentos, viagens e até do empréstimo de imóveis.

Ciro Nogueira já havia apresentado uma emenda que ampliava o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), aumentando de R$ 250 mil para R$ 1 milhão, uma medida que beneficiaria diretamente a instituição financeira de Vorcaro. Esse vínculo entre o senador e o empresário acende alertas sobre possíveis conflitos de interesse e favorecimento.

Os deputados Júlio Arcoverde e Átila Lira foram contatados para comentar sobre as transações, mas até o momento, não houve retorno. A situação continua a ser monitorada, e as investigações do STF podem trazer mais desdobramentos sobre o caso e suas implicações para a política do Piauí e do Brasil.

As movimentações financeiras levantadas pelo Coaf não apenas destacam a necessidade de uma maior fiscalização sobre as Atividades Financeiras de figuras públicas, mas também suscitam discussões sobre a ética na política brasileira. O tema permanece em evidência, especialmente em um contexto em que a transparência nas contas públicas é cada vez mais cobrada pela sociedade.

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