A relação entre o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se deteriorou desde o início da guerra no Irã em 28 de fevereiro de 2026. Após a recusa de Sánchez em apoiar militarmente os ataques, Trump ameaçou romper as relações comerciais entre os dois países.
Sánchez descreveu a ofensiva dos EUA e de Israel como uma intervenção "injustificável" e "perigosa", clamando por desescalada imediata e diálogo. Ele alertou que ampliar o conflito no Oriente Médio seria como "jogar roleta russa com o destino de milhões" e reiterou a posição de seu governo: "Não à guerra".
O posicionamento de Sánchez se insere em uma tradição histórica da política externa espanhola, que oscila entre posturas próximas aos EUA e centradas na União Europeia. Em contrapartida, o governo de Trump criticou a posição da Espanha dentro da Otan, especialmente após a oposição do país à proposta de elevar os gastos militares para 5% do PIB em 2025.
Nos últimos anos, Sánchez adotou uma posição crítica em relação a Israel, especialmente após a ofensiva na Faixa de Gaza em outubro de 2023. O governo espanhol interrompeu vendas de armas para Israel e, em setembro de 2025, anunciou um decreto que proibiu todas as exportações de equipamentos e tecnologia de defesa para o país, considerando a resposta de Israel como um ataque indiscriminado contra a população palestina.


