Um estudo de abrangência nacional está recrutando voluntários para testar uma polipílula que visa a prevenção de acidentes vasculares cerebrais (AVC) e demência. A pesquisa, denominada PROMOTE, pretende acompanhar mais de 8 mil participantes ao longo de três anos, abrangendo diferentes regiões do Brasil.
Coordenado pela neurologista Sheila Martins, do Hospital Moinhos de Vento, em colaboração com o Ministério da Saúde, o estudo busca determinar se a combinação de medicamentos em um único comprimido pode ser eficaz no controle de fatores de risco cardiovascular. O AVC é caracterizado pela interrupção ou redução do fluxo sanguíneo para o cérebro, resultando em sequelas ou até morte, sendo uma das principais causas de óbito no país. Em 2025, foram registradas mais de 89 mil mortes, conforme dados do Registro Civil.
O AVC pode ocorrer por diversos fatores, incluindo o acúmulo de placas de gordura, coágulos, hipertensão arterial ou a ruptura de aneurismas. Os sintomas são comuns em casos isquêmicos e hemorrágicos e incluem dores de cabeça intensas, fraqueza em partes do corpo, paralisia e perda súbita da capacidade de fala. Embora não haja cura para o AVC, grande parte dos casos pode ser prevenida, permitindo que os pacientes recebam tratamentos que melhorem sua condição e reabilitação para minimizar sequelas.
Embora a maioria das ocorrências afete pessoas com 50 anos ou mais, jovens também podem ser afetados. O estudo define cinco principais causas para o AVC, que incluem tabagismo, dieta inadequada, pressão alta, colesterol elevado e diabetes. Para participar, os voluntários devem ter entre 50 e 75 anos, não ter histórico de AVC ou infarto e não fazer uso de medicamentos para colesterol. Além disso, é necessário que não tenham diagnóstico de diabetes ou hipertensão, mas que apresentem pressão levemente elevada, buscando incluir pessoas com fatores de risco como obesidade, sedentarismo e má alimentação.
O acompanhamento dos participantes será realizado em centros especializados em várias localidades, incluindo São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco e Distrito Federal. A expectativa da equipe de pesquisa é que a maioria dos casos de AVC pode ser prevenida com o manejo adequado dos fatores de risco. Sheila Martins destaca que "90% dos casos podem ser evitados" e que a pesquisa visa avaliar uma estratégia simples que facilite a adesão ao tratamento.
Os resultados esperados poderão contribuir para orientar políticas de saúde voltadas à prevenção do AVC. Especialistas alertam que, se não houver intervenções eficazes no controle dos fatores de risco, o número de mortes por AVC pode aumentar nas próximas décadas.