Uma operação realizada pela Polícia Civil resultou na prisão de 11 indivíduos suspeitos de liderar um extenso esquema de tráfico de drogas no Cabo de Santo Agostinho, localizado na região do Grande Recife. As informações sobre a operação foram divulgadas na sexta-feira (31).
Essa ação policial ocorre em um contexto de crescente violência na localidade, que foi identificada como o oitavo município brasileiro com a maior taxa de mortes violentas intencionais, conforme dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Em 2025, o Cabo de Santo Agostinho registrou uma taxa alarmante de 65,1 homicídios para cada 100 mil habitantes, quase o dobro da média do Estado, que contabilizou 33 mortes.
A investigação foi conduzida pela 2ª Delegacia de Polícia de Repressão ao Narcotráfico e teve início em 2025. A delegada responsável, Myrthor Andrade, destacou que um dos principais desafios enfrentados foi a dispersão das lideranças do tráfico em diferentes bairros do município. "A pulverização da liderança do tráfico no Cabo chamou bastante atenção. Foi preciso mobilizar um número elevado de policiais. O planejamento permitiu que as equipes chegassem simultaneamente aos endereços, garantindo o cumprimento das medidas judiciais", afirmou.
Além das prisões, a operação também cumpriu 12 mandados de busca e apreensão, enfrentando dificuldades para acessar alguns imóveis. Andrade comentou que as residências dos criminosos estavam fortificadas, com chapas de aço e grades reforçadas. No entanto, a operação foi realizada sem resistência significativa.
Entre os alvos da operação, estava uma mulher identificada como gerente do tráfico no Cabo de Santo Agostinho. Ela foi encontrada em Igarassu, onde residia após deixar o Cabo por motivos de segurança. A suspeita usava tornozeleira eletrônica, assim como outros membros da organização criminosa.
Durante as ações, foram apreendidas três armas de fogo de calibre restrito e uma quantidade de cocaína. "Agora iniciamos uma nova fase, com a análise de todo o material apreendido, buscando identificar outros integrantes da organização criminosa", concluiu Myrthor Andrade.