Trump propôs que equipes dos dois governos voltassem a discutir o tarifaço; presidentes também conversaram sobre guerras na Ucrânia e no Oriente Médio
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) telefonou nesta sexta-feira (21/8) para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Na conversa, com duração de uma hora e 20 minutos, transcorreu “em tom amistoso e cordial”, segundo nota do Palácio do Planalto.
A conversa girou em torno de dois temas principais. O primeiro deles foi a imposição de novas tarifas de 25% e 12,5% do governo americano sobre os produtos brasileiros, sob a justificativa de que práticas do Brasil como o Pix prejudicam empresas americanas e o direito à propriedade intelectual.
Lula disse a Trump que as alegações são “infundadas” e observou que as tarifas “afetam negativamente tanto o Brasil, quanto os Estados Unidos”, de acordo com o Planalto. O petista apontou como melhor opção “seguir na mesa de negociação”.
“O Presidente Trump concordou com a necessidade de preservar vínculos comerciais fortes e propôs que equipes dos dois países voltassem a se reunir o mais brevemente possível”, destacou a nota da Presidência da República.
Outro tema central da reunião bilateral foi o combate ao crime organizado e a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, decisão criticada pelo governo Lula e comemorada pela oposição no Brasil.
Lula argumentou que facções criminosas “exercem terror cotidiano sobre as populações mais carentes, mas não se confundem com organizações terroristas”. Segundo o presidente, não há necessidade de uma classificação especial para designar essas organizações.
Lula ainda destacou a estratégia de “asfixiar financeiramente a criminalidade” e mencionou a aprovação da Lei Antifacção. Também citou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, que aguarda votação no Senado e amplia o papel da União no combate ao crime organizado.
Segundo o governo brasileiro, Trump “se dispôs a reforçar a cooperação bilateral e indicou que mobilizaria funcionários de alto escalão para dar seguimento aos entendimentos nessa área”.
Por Didi Galvão