A escolha do próximo presidente português reflete a polarização política global, com candidatos antagônicos disputando o voto em um cenário de menor abstenção em décadas.
A eleição presidencial portuguesa vai ao segundo turno após 40 anos, com candidatos opostos refletindo a polarização política global e mobilizando o eleitorado.
A escolha do próximo presidente português se encaminha para um segundo turno inédito em 40 anos, em sintonia com a cena política polarizada que tem dominado outros países ao redor do mundo. O pleito, que mobilizou os portugueses de maneira significativa, registrou a menor abstenção em quatro décadas, evidenciando o engajamento de um eleitorado dividido entre visões de futuro antagônicas.
No século 21, o processo democrático tem se revelado um palco de fratura social, especialmente em escala nacional. Nos últimos 25 anos, nações como Brasil, Argentina, Estados Unidos e França experimentaram campanhas marcadas por polarizações radicais. Nesses confrontos, os votos são frequentemente decididos mais pela escolha negativa do que pela positiva, onde a opção é dada ao candidato oposto àquele que se considera impossível de apoiar. Outra característica notável é a delimitação de uma das opções como defensora da democracia, enquanto a outra é pintada como uma ameaça à mesma, utilizando-a como instrumento para ascender ao poder.
Portugal no Epicentro da Polarização Global
No próximo dia 8 de fevereiro, Portugal, uma nação com profundas e complexas relações históricas com o Brasil, dará mais um passo em seu amadurecimento democrático. O primeiro turno eleitoral, realizado no último domingo, selecionou dois candidatos para a disputa final: o socialista António José Seguro e André Ventura, representante da ultradireita.
O que se desenrola em terras lusitanas não difere substancialmente do que se viu no Brasil em 2018 e que tende a se repetir este ano, não apenas em solo brasileiro, mas também nos EUA, onde o possível retorno de Donald Trump à Casa Branca já divide os norte-americanos como há muito tempo não se via.
António José Seguro, o candidato socialista, tem proferido discursos de união, afirmando: “Jamais serei o presidente de uma parte dos portugueses contra a outra parte”. Ele conclamou “todos os humanistas e progressistas” a se juntarem a ele para “derrotar o extremismo” que, segundo ele, “semeia o ódio” em Portugal.
Do outro lado, André Ventura, um ex-professor e ex-comentarista esportivo de apenas 42 anos, se apresenta como “conservador, liberal e nacionalista”. Seu discurso é fortemente marcado por uma agenda anti-imigração, tema que domina os debates na Europa há vários anos e que ganha novo fôlego com figuras como Trump no cenário global.
O acirramento eleitoral em Portugal é um sinal inequívoco da globalização política, que tende a reunir e simplificar as pautas através de polarizações que se repetem em diferentes contextos nacionais. Essas disputas, que muitas vezes colocam em xeque os fundamentos democráticos, levantam a questão fundamental: será esse um caminho benéfico para o futuro da democracia?
A resposta, complexa e multifacetada, será moldada pelos resultados das urnas e pelos rumos que os líderes eleitos decidirem tomar.