Estimativas do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF) indicam que o próximo El Niño, previsto para 2026, poderá ser o mais intenso já registrado. A atualização, divulgada no início de junho, aponta que as temperaturas da superfície do mar em uma região essencial do Oceano Pacífico Equatorial podem aumentar entre 3 e 4ºC acima da média até dezembro de 2023. Se essa previsão se concretizar, a probabilidade de o fenômeno ser significativamente mais forte do que em anos anteriores, como 1997-1998 e 2015-2016, aumenta consideravelmente.
Além das previsões do ECMWF, a Organização Meteorológica Mundial (OMM), ligada à Organização das Nações Unidas (ONU), também alerta para a formação do fenômeno. As chances de que o El Niño se desenvolva antes de setembro são de 80%, enquanto a probabilidade aumenta para 90% antes de novembro. Ambas as instituições destacam o potencial do evento para ser forte, o que gera preocupação entre os especialistas.
O El Niño ocorre a cada dois a sete anos e é caracterizado pelo aumento da temperatura da superfície do mar no Oceano Pacífico Equatorial. Esse fenômeno tem o potencial de afetar os ventos alísios, que são circulações atmosféricas fundamentais, e, consequentemente, os padrões climáticos e de precipitação em várias regiões do mundo.
O fenômeno mais recente começou em junho de 2023 e se estenderá até 2024, sendo o mais quente já registrado. Os impactos negativos na agricultura global já são evidentes, e a expectativa é que o próximo El Niño possa agravar a insegurança alimentar, especialmente em um contexto de tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Essa situação é uma preocupação adicional que os especialistas têm em relação aos possíveis efeitos do fenômeno que se aproxima.