Resolução partidária aborda escândalos financeiros, tarifa zero e jornada de trabalho, sinalizando temas para a campanha de reeleição de Lula.
O PT prepara resolução para intensificar críticas ao mercado financeiro, citando o caso Banco Master. A pauta inclui tarifa zero e redução de jornada de trabalho.
O Partido dos Trabalhadores (PT) está em processo de aprovação de uma resolução que visa intensificar suas críticas ao mercado financeiro, utilizando o escândalo envolvendo o Banco Master como um dos principais exemplos. O documento, ao qual a imprensa teve acesso, delineia as bases da narrativa partidária para as próximas disputas eleitorais, incluindo a campanha de reeleição do presidente Lula, e deve abordar temas como a implementação da tarifa zero no transporte público e a redução da jornada de trabalho.
A iniciativa reflete um esforço para solidificar a agenda progressista e contrapor-se a setores do capital financeiro.
A resolução destaca “escândalos financeiros, como o do Banco Master e outros, que expõem a corrupção e a promiscuidade entre parte do mercado e o crime organizado”, argumentando que tais eventos revelam uma “disputa estrutural” no cenário político brasileiro. O caso Banco Master ganhou notoriedade após o Banco Central barrar a aquisição da instituição pelo BRB, banco estatal de Brasília, em meio a investigações que levaram à prisão e monitoramento eletrônico de Daniel Vorcaro, proprietário do banco. As perdas potenciais para o governo do Distrito Federal são estimadas em até R$ 5 bilhões, conforme depoimentos à investigação.
A disputa de projetos e a agenda econômica
O PT posiciona a atual conjuntura política como um embate entre dois projetos antagônicos: um que “defende a democracia e o desenvolvimento com soberania e justiça social” e outro que busca “subordinar o Estado brasileiro aos interesses do capital financeiro, das plataformas digitais sem controle democrático e de uma agenda autoritária”. Esta polarização é central na estratégia do partido para as eleições que se aproximam, onde a sigla prevê um confronto não apenas entre candidaturas, mas entre visões de país.
A crítica à taxa de juros elevada, mantida em 15% ao ano pelo Banco Central, mas com sinalização de corte em março, também é um ponto recorrente.
No contexto eleitoral, o documento projeta um cenário onde o bolsonarismo, representado por figuras como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), se opõe ao projeto democrático e popular. O partido também reconhece a organização de forças de centro para apresentar candidatos, evidenciando a complexidade do tabuleiro político para 2026.
A resolução serve, portanto, como um guia ideológico e programático para a militância e os quadros do partido.
Além das questões econômicas e financeiras, o texto aborda a segurança pública, um tema historicamente desafiador para o PT. A resolução instrui os militantes a confrontar a narrativa da extrema direita, que “tenta disputar o imaginário social a partir do debate da segurança pública de forma irresponsável e sem apresentar soluções concretas, mobilizando termos como ‘narcoterrorismo'”.
O partido critica essa abordagem que “opera pelo medo, reforça ações autoritárias e oferece respostas simplistas para problemas complexos”.
Por fim, o PT reafirma seu compromisso com propostas sociais e trabalhistas. A resolução deverá instruir seus membros a defender ativamente a redução da jornada de trabalho, a tarifa zero no transporte coletivo e o aumento da seguridade social para trabalhadores de aplicativos.
Essas pautas visam fortalecer a base de apoio do partido e responder às demandas sociais, consolidando a imagem do PT como defensor dos interesses populares.


