A discussão sobre referências a líderes políticos em desfiles de Carnaval ganhou relevância no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2006. Na época, a escola Leandro de Itaquera, participante do Grupo Especial de São Paulo, incluiu em seu enredo oficial — que abordava festividades populares vinculadas ao Rio Tietê — menções aos pré-candidatos José Serra e Geraldo Alckmin, além de um busto do ex-governador Mário Covas.
Integrantes do PT criticaram o conteúdo da alegoria e consideraram que o desfile usava recursos públicos para promoção pessoal dos políticos. O vereador Arselino Tatto (PT-SP) protocolou uma ação judicial para barrar a exibição do carro que continha as referências aos tucanos, alegando violação ao uso de verbas públicas para fins políticos.
A Prefeitura de São Paulo havia repassado cerca de R$ 300 mil por escola do Grupo Especial naquele ano, o que intensificou a polêmica. O pedido do PT questionava a neutralidade do Estado em relação às disputas eleitorais durante eventos financiados com dinheiro público.
A situação reacendeu debates sobre a apropriação de espaços culturais por figuras políticas e o papel das escolas de samba como plataformas de expressão.


