A Rede D’Or, maior empresa de saúde do Brasil após a aquisição da SulAmérica em 2022, está em negociação para adquirir o Grupo Fleury, especializado em laboratórios clínicos. A transação, avaliada em cerca de R$ 6,9 bilhões, tem como objetivo integrar toda a jornada do paciente, fortalecendo o ecossistema da Rede D’Or.
Atualmente, 44,1% das ações do Grupo Fleury pertencem a acionistas do mercado, enquanto a família Pardini detém 19,7%. Sócios médicos representam 11,3% do negócio, e o Bradesco possui aproximadamente 24,9%. A aproximação entre Bradesco e Rede D’Or, evidenciada pela criação da joint venture Atlântica D’Or em 2024, pode facilitar a concretização do negócio. Após a divulgação da informação, as ações do Fleury registraram um crescimento de 15% na bolsa de valores.
Analistas do BTG Pactual consideram a incorporação estratégica, destacando a pequena presença da Rede D’Or no segmento de diagnósticos, que representa cerca de 20% dos sinistros no mercado privado de saúde.
Ambas as empresas informaram que estão avaliando as oportunidades e condições de mercado, mas que não há qualquer decisão, compromissos ou documentos que celebrem uma potencial operação.
Segundo Rafael Freixo, diretor da L.E.K. Consulting, a Rede D’Or busca construir um ecossistema de saúde de longo prazo, similar ao que foi feito com a SulAmérica, sem uma integração total imediata ou descredenciamento massivo de outros hospitais.
Um relatório do Citi aponta para potenciais reduções de custos e ganhos fiscais com a combinação das empresas.
A integração da jornada do paciente é um dos principais destaques, superando o impacto financeiro imediato, já que o valor do Fleury representa cerca de 10% do valor de mercado da Rede D’Or. O Grupo Fleury tem investido no crescimento do setor de medicina diagnóstica, tanto por meio de expansão orgânica quanto por aquisições estratégicas. Após a fusão com o Hermes Pardini em 2023, a empresa consolidou sua posição no mercado e expandiu para áreas como ortopedia e saúde feminina.
Rita Ragazzi, da Prospectiva Lat.Am, destaca que o negócio contribui para o controle e poder de negociação de custos operacionais com exames, permitindo uma presença estratégica em cada ponto da jornada do paciente.
Analistas do BTG Pactual acreditam que o Fleury deve ser avaliado com um prêmio em relação ao preço de mercado, ampliando o mercado endereçável da Rede D’Or e fortalecendo seu ecossistema.
Ainda há atenção sobre o papel dos sócios médicos, que detêm 11,3% do Grupo Fleury e possuem cadeiras no conselho, e sobre a permanência da família Pardini no negócio.
No cenário de laboratórios, a análise é que o impacto não seja tão significativo devido à alta concorrência no setor. Há outros laboratórios regionais importantes e novos grupos surgindo, o que pode levar planos de saúde a priorizarem outras opções.