O Rio Grande do Norte (RN) obteve apenas 9% de homicídios esclarecidos, o que o coloca na última posição entre os estados brasileiros. Os dados foram divulgados na quarta-feira, 8 de julho de 2026, pelo Instituto Sou da Paz, por meio do estudo intitulado “Diagnóstico sobre a Investigação de Homicídios no Brasil”. A pesquisa abrangeu as taxas de esclarecimento de homicídios dolosos em todos os estados do país entre 2020 e 2023.
Em contraste, Goiás apresenta uma média de 86% de esclarecimento, embora o Distrito Federal se destaque como a principal referência nacional, com 81%. O Instituto Sou da Paz esclarece que Goiás forneceu dados apenas para um dos anos analisados, o que limita sua comparação. O Distrito Federal, por sua vez, apresentou um percentual elevado e uma regularidade no envio de informações ao longo dos anos, o que justifica sua posição de destaque.
Este levantamento inédito buscou entender as razões pelas quais algumas unidades da federação alcançam resultados significativamente melhores que outras, revelando uma disparidade de até nove vezes entre o estado com o melhor desempenho e aquele com o pior. O estudo considera como esclarecido o homicídio doloso que resulta em uma denúncia criminal apresentada pelo Ministério Público até o final do ano seguinte ao crime, focando na responsabilização inicial no sistema de Justiça.
Os percentuais de esclarecimento variam consideravelmente entre os estados. Além do RN, os índices de esclarecimento são: 81% no Distrito Federal, 71% em Mato Grosso do Sul, 65% em Santa Catarina, 48% no Espírito Santo e 23% no Rio de Janeiro. Estados como Alagoas, Rio Grande do Sul e Tocantins não disponibilizaram dados suficientes para serem incluídos na análise.
São Paulo, por sua vez, registrou a menor taxa de homicídios do Brasil em 2023, com 7,8 mortes por 100 mil habitantes, mas a taxa de esclarecimento desses casos foi de 40%. O desempenho em São Paulo tem mostrado uma tendência de queda, com o índice de esclarecimento caindo de 47% em 2021 para 40% em 2022 e chegando a 31% em 2023, o menor percentual registrado na série histórica acompanhada pelo Instituto Sou da Paz.
Os pesquisadores não encontraram uma relação direta entre o número de policiais ou peritos por habitante e as taxas de esclarecimento. Em vez disso, associaram os melhores resultados a uma combinação de fatores como prioridade política na Investigação de Homicídios, estabelecimento de metas, monitoramento de indicadores, fortalecimento da perícia e gestão orientada a resultados.