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Ritmo do governo Bolsonaro para fechar lixões joga meta para 2063

Na toada atual, a meta de interromper o uso desses locais em 2024 vai atrasar quase 40 anos.

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Uma das principais promessas do governo de Jair Bolsonaro (PL) para a área ambiental, o fim dos lixões e aterros controlados no país tem andado em ritmo lento. Na toada atual, a meta de interromper o uso desses locais em 2024 vai atrasar quase 40 anos –o objetivo só seria alcançado em 2063.

Dados do panorama anual elaborado pela Abrelpe, associação que reúne empresas do setor de coleta de lixo, apontam que em 2018 havia 3.001 municípios sem aterros sanitários, destinando resíduos a lixões e aterros controlados. Em 2020, eram 2.868 municípios.

Isto significa que houve evolução em 133 municípios. Mantido este ritmo, seriam necessários mais 43 anos para zerar os lixões, o que jogaria a meta do governo para 2063.

O ritmo é mais lento do que o verificado de 2017 para 2018, quando o número de municípios com destinação inadequada caiu de 3.352 para 3.001.

A atual gestão lançou, em abril de 2019, o programa Lixão Zero, capitaneado pelo então ministro Ricardo Salles, demitido em 2021.

O objetivo era, com uma iniciativa voltada para as cidades, contrapor-se ao fracasso da política ambiental do governo para os biomas brasileiros, Amazônia em especial, onde houve o maior desmatamento dos últimos 15 anos.

No último dia 13, em um evento no Palácio do Planalto, Bolsonaro e o atual ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, assinaram o decreto que institui o Plano Nacional de Resíduos Sólidos. Ele prevê o fim da destinação de resíduos a lixões e aterros controlados a partir de 2024, mas o ritmo do Lixão Zero, vitrine de Salles, Leite e Bolsonaro, mostra que isso só ocorreria em 2063.

Uma visita a um desses lixões mostra a dura realidade de quem vive ali.

As dezenas de catadores que reviram todos os dias o lixão de Águas Lindas de Goiás, no entorno do Distrito Federal, torcem para estar no melhor lugar da fila por volta das 17h, quando aparece diariamente um caminhão com lixo recolhido em Brasília.

Com a crise, o arrefecimento da pandemia e a perda de renda nos dois anos que se passaram, há cada vez mais gente ali. A torcida é para estar à frente quando chega o caminhão com lixo que seria de Ceilândia, que tem material mais valioso que o de Águas Lindas, uma cidade pobre a 50 quilômetros do centro de Brasília.

“De Águas Lindas, vem só a ‘bagaça’, porque tem muito catador na rua, que recolhe o material antes de chegar aqui”, diz Márcio Jesus, 30, uma vida inteira no lixão. “Do DF, vem mais material, inclusive latinha. Mas a gente não dá preferência, é o que chegar.”

Jesus, pai de duas crianças, é de Feira de Santana (BA). Está em Águas Lindas desde os primeiros anos de vida. No lixão a céu aberto da cidade, “desde que se entende por gente”. “Minha mãe já me trazia aqui no carrinho de mão”, diz ele.

O vínculo quase eterno com o lixão, que se repete com dezenas de catadores que ali estão em condições subumanas de trabalho, é a evidência de um fracasso histórico. O Brasil não consegue eliminar os lixões e aterros controlados, outra forma inadequada para destinação de lixo.

O Ministério do Meio Ambiente usa números diferentes dos apresentados pela Abrelpe, considerados referência no setor, para defender que a redução dos lixões está andando em um ritmo mais rápido.

A pasta usa dados de uma entidade parceira do governo desde o início da gestão Salles, a Abetre, de empresas interessadas na concessão da gestão de resíduos. Segundo o ministério, 645 lixões já foram fechados, e faltariam 2.612.

“O encerramento dos lixões não pode ser calculado por meio de uma regra de três simples. Depende de um conjunto de medidas estruturantes para possibilitar a viabilidade técnica e econômica do encerramento”, afirmou o Ministério do Meio Ambiente, em nota. “Não estamos ainda em 2024 para se dizer que algo foi ou não alcançado.”

A Abetre atualiza os dados com maior frequência, e por isso a pasta usa os dados da associação, segundo a nota.

“O Lixão Zero está em plena execução, cumprindo seus objetivos e com resultados expressivos. Foi criado para reverter o baixo resultado obtido nos oito anos que seguiram ao lançamento da Política Nacional de Resíduos Sólidos, em 2010, período que abrangeu três gestões no Executivo federal –essas sim, sem nenhum resultado expressivo no tema.”

Pelo menos seis cidades no entorno de Brasília seguem sem aterro sanitário. Águas Lindas, por exemplo, não tem nenhuma parceria em andamento com o governo federal para mudar essa realidade, segundo a prefeitura.

“O município tem trabalhado para atender a legislação, mas tem enfrentado dificuldades locacionais e financeiras como a maioria”, disse a prefeitura em nota.

A meta de eliminar todos os lixões até 2024 já consta da lei de 2020 que atualizou o marco legal do saneamento básico. O cronograma previsto na lei também está atrasado.

Uma saída proposta pelo governo Bolsonaro, mencionada no Plano Nacional de Resíduos Sólidos, é cobrar de 100% dos brasileiros, também até 2024, uma taxa de limpeza urbana. Dados de 2020 mostram que essa cobrança é feita por 29,2% dos municípios.

O primeiro rascunho do plano previa que os 100% de cobrança só seriam alcançados em 2040. A determinação também está expressa no novo marco do saneamento, conforme o ministério.

No lixão de Águas Lindas, catadores dividem espaço com urubus. O caminhão com lixo de Brasília descarrega muito resto de comida, recolhido de restaurantes. Esses restos também interessam a uma parcela dos catadores, para alimentar porcos.
Tanto Águas Lindas quanto o DF dizem que não há caminhões do governo do DF despejando resíduos ali. O lixo de Brasília vai para um aterro sanitário, diz o governo local.

O que pode estar ocorrendo é um descarte por iniciativa de grandes geradores de resíduos, segundo o SLU (Serviço de Limpeza Urbana do DF), o que é crime ambiental.

Laura Tauane acaba de completar 18 anos. São 11 anos no lixão, primeiro com a mãe, agora com o marido. “É uma vida inteira. Queria fazer qualquer outra coisa que não fosse trabalhar aqui”, diz ela, mãe de três filhos.

Aurineide dos Santos chegou ao lixão quando tinha 40 anos. Está com 54. Três de seus oito filhos a acompanham na coleta. Os dias mais disputados no lixão reúnem até 70 pessoas, diz.

O Ministério do Meio Ambiente disse apoiar os municípios no fim dos lixões. Sobre os do entorno de Brasília, afirmou que o assunto deveria ser tratado com as prefeituras.

A prefeitura de Águas Lindas disse ter sancionado uma lei para gestão integrada de resíduos e afirmou atuar para identificar soluções alternativas de descarte.

Por Folhapress

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Brasil

Doenças respiratórias lotam leitos pediátricos e chegam até a fechar PS

A entrada do inverno e o retorno às aulas presenciais depois da pandemia agravam o quadro.

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Hospitais da capital e do interior de São Paulo estão com enfermarias infantis e unidades de terapia intensiva (UTIs) lotadas, por causa de um novo aumento nos casos de doenças respiratórias, incluindo a covid-19. Alguns centros médicos da rede pública já recorreram à central de regulação do Estado por falta de capacidade para receber novos pacientes. A entrada do inverno e o retorno às aulas presenciais depois da pandemia agravam o quadro. Há também falta de medicamentos nas farmácias.

Na capital paulista, a taxa de ocupação de leitos pediátricos se manteve em torno de 90% ao longo da semana passada. A Prefeitura, por meio da Secretaria da Saúde (SMS), informou que dispõe de 372 leitos de enfermaria pediátrica e 131 de unidades de terapia intensiva (UTIs) para este público nos hospitais municipais. Nesta sexta-feira, segundo a pasta, 347 leitos de enfermaria pediátrica estavam ocupados, índice de 94%. Já as UTIs pediátricas estavam com 111 ocupações, representando 85%.

A SMS informou que o Hospital Municipal Infantil Menino Jesus, referência 24h no atendimento de crianças e adolescentes, apresentava taxa de ocupação da UTI pediátrica de 90%. “A SMS esclarece que a taxa de ocupação é dinâmica e pode variar ao longo do dia. Com a chegada das baixas temperaturas do inverno, é esperado aumento nos atendimentos e internações por doenças respiratórias, principalmente por vírus sincicial respiratório e o da covid-19. A rede municipal está preparada para atender a população.”

Desde abril, o Hospital Universitário (HU) da Universidade de São Paulo (USP) está com as alas pediátricas lotadas. Segundo informou, as UTIs têm pacientes menores de 1 ano de idade, com quadro grave de insuficiência respiratória. Na quarta-feira, o HU precisou fechar o pronto-socorro infantil por seis horas por superlotação de pacientes com problemas respiratórios. O atendimento só foi retomado depois da transferência de crianças para outros hospitais.

De acordo com a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, a principal causa das internações são os vírus que causam doenças respiratórias, como resfriado, bronquite e até pneumonia. Os casos costumam aumentar nessa época do ano, entre o fim do outono e a entrada do inverno. Conforme a pasta estadual, a demanda alta exige monitoramento permanente do cenário epidemiológico, com base nos indicadores, principalmente os de internação, que são avaliados em tempo real. “Além de fortalecer os serviços de saúde estaduais para atender pacientes com covid-19 e outras patologias, a pasta mantém diálogo com gestores regionais para análises técnicas e definição das estratégias assistenciais. Vale lembrar que, neste período, com a chegada do inverno, é comum o aumento dos sintomas gripais, que causam doenças sazonais e maior procura pelos serviços”, informou.

Rede privada

Hospitais da rede privada da capital também enfrentam a alta de demanda de pacientes pediátricos. No Sabará, a taxa de positividade para vírus respiratórios era de 73% nesta sexta-feira, considerada elevada. Os testes detectaram 18 vírus respiratórios e, entre os mais apontados, estavam adenovírus, bocavírus, rinovírus e o sincicial respiratório. Ali, os casos e as internações por covid-19 voltaram a crescer nas três últimas semanas, atingindo os mesmos patamares de janeiro deste ano. Só nesta semana, dos 132 pacientes “positivados” para covid-19, 15 ficaram internados.

O pediatra Felipe Lora, diretor técnico do hospital, disse que a demanda costuma ser mais exacerbada neste período do ano, pela sazonalidade das doenças respiratórias. “Hoje, a covid não é o principal problema, e sim as bronquiolites causadas por outros vírus.” Ele acredita que, com as férias escolares, os casos devem cair em julho. “Vamos ter menos aglomeração.” O mesmo ocorre no Hospital Santa Catarina Paulista, que tinha nesta sexta-feira 55 pacientes pediátricos internados. Do montante, 21 estavam em UTI.

Interior

O interior também enfrenta aumento na procura por leitos infantis. O Hospital da Unicamp, em Campinas, que é referência regional, estava com 100% de ocupação dos leitos pediátricos nesta sexta. Já na rede do SUS Municipal de Campinas, a ocupação de leitos pediátricos de UTI estava em 76,4%. Pela manhã, pacientes denunciaram a demora no atendimento no Hospital Municipal Mário Gatti, que faz parte do SUS Municipal. A Guarda Municipal até precisou ser chamada. Em nota, a rede informou que a equipe está completa, mas a unidade enfrenta sobrecarga.

Falta de medicamento prejudica mais crianças

O diretor do Sabará Hospital Infantil, Felipe Lora, apontou a falta de medicamentos nas farmácias como um dos problemas decorrentes da alta na incidência de vírus respiratórios. “Nosso PS (pronto-socorro) prescreve um remédio, o paciente vai à farmácia e não acha. O que temos feito é trocar a receita.”

Um levantamento divulgado pelo Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo (CRF-SP) apontou que mais de 98,5% dos farmacêuticos confirmaram problemas de desabastecimento. Desses, 10,2% são do setor público. Mais de 90% citaram a falta de antimicrobianos (entre os mais citados, amoxicilina e azitromicina); 76,56% com a falta de medicamentos mucolíticos (entre os mais citados, acetilcisteína e ambroxol); 68,66% com a falta de medicamentos anti-histamínicos (entre os mais citados, dexclorfeniramina e loratadina); 60,59% com a falta de medicamentos analgésicos (como dipirona, ibuprofeno e paracetamol).

Segundo Marcelo Polacow, presidente do CRF-SP, as crianças são as que mais têm sofrido. “Os medicamentos em falta são principalmente em suas formulações líquidas, o que prejudica em especial a população pediátrica.”

Do jornal O Estado de S. Paulo.

 

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Em Recife, homem e criança de 4 anos morrem após cair de prédio; Polícia investiga o caso

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As mortes de um homem de 39 anos e uma criança, com apenas 4 anos de idade, chocaram  quem passou pelo cruzamento entre as ruas do Riachuelo e da Aurora, no Centro do Recife, neste sábado (25).

O caso, que ocorreu no Edf Ébano, foi registrado pela Polícia Civil de Pernambuco por meio da Equipe de Força Tarefa de Homicídios da Capital. De acordo com o órgão, a ocorrência está sendo tratada como um caso de homicídio seguido de suicídio.
Segundo a investigação, o autor teria se jogado do prédio com a vítima, que era seu filho, ocasionando a morte de ambos. Até o momento, não há mais informações sobre a motivação do crime. No entanto, a Polícia Civil informou que as investigações continurão até o esclarecimento do fato.
Foto Reprodução/Google Maps
Por Diário de Pernambuco 

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Suspeito de matar casal de idosos no Rio de Janeiro é ex-namorado do filho

Segundo investigações da Polícia Civil, o autor do crime seria o oficial da Marinha de 40 anos, Cristiano Lacerda, que foi levado para o hospital sob custódia policial. Ele seria namorado do filho do casal e teria agido motivado por ciúmes.

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Um casal de idosos foi morto a facadas na madrugada deste sábado (25) em um condomínio no Jardim Botânico, Zona Sul do Rio. Segundo as investigações da Polícia Civil, o principal suspeito é o ex-namorado do filho do casal, que teria assassinado os dois após uma crise de ciúmes.

Os idosos foram identificados como Geraldo Coelho, 73 anos, e Osélia Coelho, 72 anos. Os corpos deles foram levados para o Instituto Médico-Legal, no Centro do Rio. O enterro será em Fortaleza, onde eles moravam.

Segundo a Delegacia de Homicídios da Capital, responsável pelas investigações, o autor do crime é o militar da Marinha Cristiano Lacerda, de 40 anos. Cristiano é ex-namorado de Felipe Coelho, filho do casal assassinado.

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