Banqueiro defende solvência do Master e alega que venda a grupo árabe foi inviabilizada pelo Banco Central.
Em audiência no STF, Daniel Vorcaro expressou surpresa com a liquidação do Banco Master, criticando o Banco Central e defendendo a solvência da instituição.
Em uma audiência de três horas perante o Supremo Tribunal Federal (STF), o banqueiro Daniel Vorcaro manifestou-se “surpreendido” com a liquidação do Banco Master e dirigiu duras críticas à conduta do Banco Central (BC). Segundo informações divulgadas pelo Estadão, Vorcaro negou qualquer irregularidade em sua gestão, defendendo a integridade e solvência da instituição financeira até o momento da intervenção.
O banqueiro sustentou que o Banco Master mantinha sua saúde financeira, não apresentando qualquer sinal de inadimplência que justificasse a medida drástica de liquidação. Sua declaração no STF reforça a posição de que a decisão do BC teria sido precipitada e sem embasamento adequado, contrariando a realidade operacional do banco.
Proposta de Venda Frustrada e Críticas ao BC
Ainda de acordo com o relato do empresário à Polícia Federal, um dia antes da liquidação, ele havia submetido ao Banco Central uma proposta concreta para a venda do Banco Master a um consórcio de investidores dos Emirados Árabes Unidos. Essa negociação, que poderia ter representado uma solução para a instituição, teria sido abruptamente inviabilizada pela decisão de liquidação compulsória imposta pela autoridade monetária.
Vorcaro argumenta que o BC agiu de forma a frustrar uma alternativa viável e benéfica para o banco.
Em relação à transação de R$ 12,2 bilhões envolvendo carteiras de crédito consignado com o Banco de Brasília (BRB), Daniel Vorcaro assegurou que o banco público não experimentou prejuízos. Ele explicou que o Banco Master permitiu a substituição desses ativos, aplicando um deságio de 30%, o que, em sua visão, protegeu o BRB de qualquer perda financeira decorrente da operação.
A defesa de Vorcaro no STF e suas acusações contra o Banco Central abrem um novo capítulo na controvérsia sobre a liquidação do Banco Master, levantando questionamentos sobre os critérios e a celeridade com que tais decisões são tomadas no sistema financeiro nacional. O caso promete desdobramentos significativos no cenário político e econômico.