O avanço da inteligência artificial no Brasil já influencia decisões econômicas, políticas públicas e o cotidiano da população. Agora, o país se depara com um novo desafio: definir as regras que orientarão o desenvolvimento e o uso dessa tecnologia.
Esse avanço começa a ganhar contornos decisivos com a tramitação do Projeto de Lei nº 2.338/2023, que estabelece diretrizes para o uso da inteligência artificial. O projeto também prevê o fomento e uso ético da tecnologia.
Aprovado pelo Senado em dezembro de 2024, o texto segue para análise na Câmara dos Deputados. As decisões tomadas nesta etapa serão determinantes para definir de que maneira a tecnologia será incorporada ao cotidiano de milhões de brasileiros nos próximos anos.
Nesse contexto, o portal Metrópoles em parceria com a OpenAI, empresa desenvolvedora do ChatGPT, promoverá um ciclo de debates “Para onde vai a regulação da IA?”, uma iniciativa dedicada a qualificar a discussão pública sobre a IA no Brasil.
Ao todo, o projeto contará com três talks ao vivo e o primeiro deles “Como criar uma IA brasileira?” está marcado para 4 de fevereiro, às 11h, com transmissão ao vivo pelo YouTube do Metrópoles.
Entre os temas em pauta estão:
-
IA pensada para o Brasil: como desenvolver e treinar modelos em português, considerando a diversidade cultural e linguística do país, para ampliar o acesso da população à tecnologia.
A proposta é discutir não apenas o avanço tecnológico, mas as escolhas regulatórias, econômicas e institucionais que definirão como a inteligência artificial será incorporada à realidade brasileira.
Debate elevado
Os especialistas que debaterão o primeiro tema são o deputado Aguinaldo Ribeiro, relator do PL 2.338 na Câmara dos Deputados; Igor Marchesini, assessor especial do Ministério da Fazenda; e Fabro Steibel, diretor-executivo do Instituto Tecnologia e Sociedade (ITS).
“O Brasil precisa escolher se quer ser consumidor ou produtor de inteligência artificial. Isso significa que deverá evitar copiar modelos estrangeiros de regulação e compreender as próprias potencialidades que existem para desenvolver a tecnologia no país.”
Fabro Steibel, diretor-executivo do Instituto Tecnologia e Sociedade (ITS)
De acordo com o assessor especial do Ministério da Fazenda, Igor Marchesini, o Brasil é um dos países que mais rápido adotou a inteligência artificial e um dos mais ativos quando se trata do tema.
“A IA já faz parte da vida dos brasileiros. Nosso país é o terceiro que mais utiliza o ChatGPT, além do Gemini e Claude. Aqui, esse consumo também se dá em um nível governamental: os governos federal, estadual e municipais, além do judiciário, têm muitas iniciativas interessantes relacionadas à IA. O governo brasileiro, de forma geral, é um grande early adopter (consumidor que testa um novo produto ou tecnologia antes da maioria) da IA.”
Igor Marchesini, assessor especial do Ministério da Fazenda
Como ponto de atenção, o representante do Ministério da Fazenda lembra dos perigos do uso da IA para disseminação de fake news, mas é otimista com relação ao Brasil por conta da capacidade de criação do brasileiro, a energia limpa, a quantidade de dados que o país tem e o grau de digitalização dos governos brasileiros como um todo.
“Temos tudo para sermos uma grande potência da inteligência artificial no mundo”, afirmou.
No talk, eles abordarão as oportunidades e os riscos que a IA traz para o Brasil, e como é possível nos preparar para melhor navegar em meio a essa grande revolução.
Talk: Como criar uma IA brasileira?
Data: 4 de fevereiro
Horário: 11h
Transmissão: YouTube do Metrópoles
As datas e os horários dos próximos encontros do ciclo “Para onde vai a regulação da IA?” serão divulgados em breve.