Governador de São Paulo utiliza captura de Maduro para sinalizar ambições presidenciais, gerando reações e reposicionando-se politicamente.
Tarcísio de Freitas aproveita a crise na Venezuela para projetar sua imagem eleitoral, gerando debate e redefinindo sua postura em relação a Trump.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), aproveitou a recente captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro pelos Estados Unidos para intensificar seu tom eleitoral e sinalizar suas ambições presidenciais. Um vídeo divulgado por Tarcísio, mesmo estando de férias, foi bem recebido pela militância bolsonarista e gerou reações da ministra Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), sendo interpretado por aliados como um claro aceno à disputa presidencial de 2026.
No vídeo, Tarcísio criticou a ditadura venezuelana e acusou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de apoiar o regime de Maduro. O governador encerrou a mensagem com uma clara referência eleitoral: “A Venezuela agora está vencendo a esquerda e que, no final do ano, o Brasil também vença”, aludindo às eleições presidenciais. A primeira-dama paulista, Cristiane Freitas, reforçou a mensagem, desejando que os brasileiros também possam comemorar a vitória em 2026. Apesar de ser apontado como um dos favoritos do centrão e do mercado para o Planalto, Tarcísio tem afirmado publicamente que buscará a reeleição no estado, o que não impede movimentos como este de alimentarem especulações.
Reposicionamento Político e Reações
A postura de Tarcísio se destacou em comparação com outros governadores de direita, como Ronaldo Caiado (União Brasil-GO), Ratinho Jr (PSD-PR) e Romeu Zema (Novo-MG), que também exaltaram a queda de Maduro, mas sem fazer relação explícita com o cenário eleitoral brasileiro. Além disso, o governador de São Paulo demonstrou uma recalibração em sua relação com Donald Trump.
Desta vez, Tarcísio evitou endossar o ex-presidente americano ou sequer mencioná-lo no vídeo, um contraste com episódios anteriores, como a crise do “tarifaço”, onde seu alinhamento a Trump gerou desgaste.
A ministra Gleisi Hoffmann não tardou em responder, criticando o que chamou de “cinismo” de Tarcísio. Ela lembrou o apoio do governador a Trump em ocasiões anteriores e o responsabilizou por “responsabilizar Lula pela invasão dos EUA à Venezuela”.
Em entrevista, Tarcísio atribuiu a ação americana à omissão do Brasil em liderar um processo de transição democrática na Venezuela, devido ao alinhamento do PT com o ditador. A vitória sobre a esquerda, segundo interlocutores, já é um ponto incorporado no discurso de Tarcísio, que em outro vídeo recente, desejou “Feliz 2026” e pregou “Fora PT”.
Auxiliares e aliados do governador consideraram a manifestação sobre a Venezuela estratégica, bem executada e mais ponderada em relação a outros bolsonaristas, que chegaram a vislumbrar uma deposição de Lula nos moldes da de Maduro. A ação militar dos EUA na Venezuela, que culminou na captura de Maduro e sua esposa, Cilia Flores, é vista como a maior intervenção contra a América Latina em décadas, com o ditador já nos EUA para julgamento por narcoterrorismo.
O movimento de Tarcísio, portanto, se insere nesse contexto de grande repercussão, buscando capitalizar politicamente sobre um evento de alto impacto internacional.