A imposição de tarifas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, justificada por argumentos políticos desvinculados da realidade econômica, continua a gerar preocupação. A medida, que onera as importações, impacta negativamente os produtores brasileiros e pode inviabilizar a continuidade de alguns negócios.
Embora o governo norte-americano tenha recuado parcialmente, reduzindo em 10% a sobretaxa de 50% aplicada a diversos produtos, como café e laranja, a alíquota adicional remanescente de 40% ainda representa um obstáculo significativo. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) ressalta a urgência de se revisar a postura da Casa Branca, uma vez que a tributação adicional recai exclusivamente sobre os exportadores brasileiros.
“Países que não enfrentam essa sobretaxa terão mais vantagens que o Brasil para vender aos americanos. É muito importante negociar o quanto antes um acordo para que o produto brasileiro volte a competir em condições melhores no principal destino das exportações industriais brasileiras”, afirma Ricardo Alban, da CNI.
Após análise dos produtos e países afetados pela redução parcial da sobretaxa, a CNI concluiu que a competitividade brasileira em segmentos estratégicos permanece limitada, favorecendo a concorrência internacional caso não haja mudanças no cenário imposto pelos EUA. “As condições podem melhorar para competidores internacionais enquanto o Brasil continua penalizado”, resume a CNI em nota oficial.
A imposição de tarifas pode prejudicar a própria economia dos EUA, ao restringir o acesso da população a produtos brasileiros. Em Pernambuco, o impacto se concentra no polo do Vale do São Francisco, importante exportador de uva e manga. Para Bruno Veloso, presidente da Federação das Indústrias de Pernambuco (Fiepe), a taxa de 40% ainda inviabiliza a competição equilibrada.
Veloso avalia que as medidas atendem a interesses econômicos internos dos EUA, relacionados à inflação dos alimentos. Ele cobra maior efetividade nas negociações bilaterais entre os dois países. “Os encontros que têm acontecido entre o Itamaraty e os Estados Unidos têm sido muito rápidos. A gente tem que aprimorar e acentuar as negociações”, defende. A uva, por exemplo, sofreu uma queda expressiva nas exportações para os EUA nos últimos meses, após ser excluída da lista de isenção.