As intensas chuvas que atingem o Rio Grande do Sul resultaram em 461 pessoas desabrigadas em 10 municípios, conforme dados do painel de Monitoramento de Abrigos da Secretaria de Desenvolvimento Social, atualizados às 16h26 da quarta-feira, 22 de julho de 2026. O município de Lajeado se destaca com o maior número de acolhidos, totalizando 201 pessoas.
Além disso, as precipitações causaram 12 bloqueios totais e um bloqueio parcial em rodovias estaduais, segundo informações do Comando Rodoviário da Brigada Militar. Outros três trechos estão com restrições, sendo dois bloqueios totais e um parcial, além de cinco interdições ou restrições estruturais que não foram diretamente atribuídas ao fenômeno meteorológico atual.
Os abrigos em outros municípios também registraram acolhimento, com 33 pessoas em Santa Cruz do Sul, 31 em São Sebastião do Caí, 20 em Roca Sales, 19 em Passo Fundo, 16 em Cruzeiro do Sul e 10 em Bom Retiro do Sul. Esses números refletem a situação atual dos abrigos cadastrados, sem representar o total de pessoas que precisaram deixar suas residências.
De acordo com o Centro de Monitoramento da Defesa Civil do Estado do Rio Grande do Sul, as chuvas intensas foram resultado de um sistema meteorológico ativo na última semana, que trouxe não apenas chuva, mas também rajadas de vento, raios e granizo, afetando principalmente as regiões Central, Fronteira Oeste e Noroeste do estado. Nas últimas 24 horas, os temporais se intensificaram nas proximidades dos municípios de Marau e Nova Prata, onde estão localizadas as nascentes dos rios Guaporé, Carreiro e Prata.
O volume de chuva superou 170 mm em menos de 12 horas em partes da região, com registros de 174 mm em Paraí, 157 mm em Marau e 154 mm em Passo Fundo. Essa precipitação intensa provocou alagamentos pontuais e aumento nos níveis de arroios e rios menores, que desaguam no rio Taquari. Apesar da diminuição das chuvas, há preocupação com a possibilidade de inundação.
Fernando Dornelles, professor do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, afirmou que não há previsão de inundação em Porto Alegre neste momento. Ele destacou que a altura do corpo d'água deve atingir cerca de 2 metros e 20, enquanto a cota de inundação na cidade é de 3 metros. As intervenções no sistema de proteção contra cheias em Porto Alegre foram realizadas desde a inundação de 2024, incluindo reformas em comportas e recuperação de barreiras de proteção.