Terapia de Constelação Familiar: O que é esse “tratamento” afinal?

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Exploramos a prática que busca desvendar dinâmicas ancestrais e o debate sobre sua validade científica.

A Constelação Familiar é uma terapia que explora dinâmicas ancestrais e seus impactos na vida atual, mas enfrenta debate sobre sua validade científica.

A Terapia de Constelação Familiar tem ganhado destaque como uma abordagem terapêutica focada na identificação de dinâmicas familiares ocultas e nas profundas influências ancestrais que moldam a vida de um indivíduo. Por meio de sessões que buscam explorar as conexões dentro do sistema familiar, seus praticantes e adeptos afirmam que é possível obter clareza sobre padrões de comportamento, emoções e até mesmo questões de saúde que se manifestam no presente.

A premissa central é que eventos e traumas passados de gerações anteriores podem repercutir nas gerações atuais, afetando relacionamentos e o bem-estar geral.

As sessões de constelação familiar, que podem ser realizadas em grupo ou individualmente, visam trazer à tona essas dinâmicas inconscientes. Ao “representar” membros da família (seja por pessoas em um grupo ou por objetos em sessões individuais), busca-se recriar um “campo” de energia onde as interações e os emaranhamentos são revelados. A proposta é que, ao reconhecer e honrar esses padrões, os indivíduos possam encontrar caminhos para resolver conflitos emocionais, melhorar seus relacionamentos interpessoais e promover um crescimento pessoal significativo. A terapia oferece uma perspectiva única sobre como a história familiar pode impactar profundamente a existência atual.

A Controvérsia Científica

Recentemente, o debate em torno da constelação familiar foi reacendido em espaços públicos, como quando uma participante de um reality show de grande alcance mencionou seus supostos benefícios. Essa visibilidade, no entanto, também trouxe à tona a forte oposição de setores da ciência e da saúde.

A prática é amplamente considerada uma pseudociência por muitos especialistas, incluindo profissionais da psicologia e da medicina, que apontam para a falta de embasamento e reconhecimento científico.

A principal crítica reside na ausência de metodologias de pesquisa rigorosas e evidências empíricas que comprovem a eficácia e os mecanismos de ação da constelação familiar. Ao contrário de terapias reconhecidas, que passam por extensos processos de validação e revisão por pares, a constelação familiar não se enquadra nos critérios científicos estabelecidos para tratamentos de saúde mental.

Conselhos de psicologia e medicina no Brasil e em outros países não a reconhecem como uma prática validada ou recomendada, o que gera preocupações sobre a segurança e a ética de sua aplicação como “tratamento”.

Apesar de sua popularidade crescente e dos relatos anedóticos de transformação por parte de seus adeptos, a Terapia de Constelação Familiar permanece em uma zona cinzenta do conhecimento. Enquanto oferece uma lente intrigante para observar as interconexões familiares e as raízes de questões pessoais, é crucial que os interessados abordem a prática com discernimento, cientes da falta de comprovação científica e da posição dos órgãos reguladores da saúde.

A discussão ressalta a importância de buscar sempre tratamentos e abordagens baseadas em evidências para questões de saúde e bem-estar.

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