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Transnordestina: Promessa de Lula Dividiu Nordeste e Atrasou Integração Ferroviária

A construção da ferrovia Transnordestina, um projeto ambicioso lançado em 6 de junho de 2006, com o objetivo de interligar o polo agrícola do...

A construção da ferrovia Transnordestina, um projeto ambicioso lançado em 6 de junho de 2006, com o objetivo de interligar o polo agrícola do Piauí aos portos de Pecém, no Ceará, e Suape, em Pernambuco, gerou divisões e controvérsias no Nordeste.

Quase duas décadas após o lançamento, o presidente Lula da Silva planeja entregar a ferrovia até o Ceará, marcando um momento importante, embora com um escopo diferente do inicialmente previsto.

A cerimônia de lançamento em Missão Velha (CE), em 2006, carregada de expectativas e promessas de redenção para o Nordeste, contrastou com a realidade de um projeto marcado por crises, paralisações, aumento de custos e prazos não cumpridos. A Transnordestina que se pretende entregar agora liga Eliseu Martins (PI) ao Porto do Pecém, após a concessionária TLSA ter sua responsabilidade reduzida, com a eliminação do trecho até Suape (PE).

Nesse período, a disputa entre Pernambuco, Piauí e Ceará pela ferrovia resultou em perdas para todos, embora o Ceará tenha assegurado a rota em direção ao seu porto. Pernambuco, por sua vez, iniciou uma nova luta para garantir que a ferrovia chegue a Suape.

Com a exclusão do trecho pernambucano, a Infra S.A., estatal responsável pela ferrovia, precisa lançar os editais dos trechos em condições de receber obras e ajustar os que exigem negociações e projetos, até que o trem chegue a Suape. Atualmente, a Transnordestina opera apenas entre Trindade e Salgueiro, de onde segue para Missão Velha (CE) e Pecém.

A Infra S.A. sinalizou a intenção de lançar, ainda em 2025, pelo menos dois lotes do novo empreendimento, com recursos do Novo PAC assegurando R$450 milhões para o início do projeto. A expectativa é lançar os lotes 05 e 07, já em posse da empresa e com informações básicas, enquanto os lotes 04 e 06, que precisam de pesquisa e atualizações, ficariam para 2026.

Os lotes 04 e 05 têm percentuais de obras de 37% e 24%, respectivamente, executados pela antiga concessionária. Já os lotes 06 e 07 terão obras iniciadas do zero. Os lotes que podem receber obras estão entre Custódia e Pesqueira, passando por Arcoverde, enquanto os lotes 06 e 07 vão de Pesqueira a Belém de Maria, passando por Cachoeirinha.

Ainda em 2025, a expectativa é que ao menos dois lotes sejam lançados, marcando uma inflexão no projeto. No entanto, mesmo com a conclusão do trecho Eliseu Martins-Pecém e o transporte de minério de ferro, a Transnordestina, em seu traçado original, pode se tornar um projeto desconectado da matriz de transporte ferroviário nacional.

Para garantir sua sustentabilidade, a Transnordestina precisa se conectar à ferrovia Norte-Sul, entre Eliseu Martins (PI) e Aguiarnópolis (TO), através da EF-232, integrando o Nordeste ao eixo nacional e potencializando o agronegócio do MATOPIBA (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia). Essa conexão beneficiaria tanto Pecém (CE) quanto Suape (PE), inserindo o Nordeste no cenário nacional. É fundamental que a região deixe de lado as disputas e se adapte às mudanças no modelo de negócio, considerando a produção de Pecém, as conexões de Suape e o impacto do MATOPIBA, em um jogo agora muito mais global.

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