A medida, que está sob sigilo, foi solicitada pelo partido de Flávio Bolsonaro, que identificou aproximadamente 20.000 perfis falsos nas redes sociais da Meta. Esses perfis, segundo a equipe jurídica do PL, promoviam publicações desfavoráveis a candidatos da direita, o que levantou preocupações sobre a integridade do processo eleitoral.
Em sua determinação, Nunes Marques ordenou que a Meta mantenha informações relevantes desses perfis, incluindo dados de cadastro e informações bancárias utilizadas para o pagamento de anúncios. O PL relatou que perfis com um número reduzido de seguidores, variando entre 20 a 30, estavam investindo individualmente até R$ 200.000 em impulsionamentos contra Flávio Bolsonaro.
A equipe jurídica do PL, em uma manifestação anterior em 20 de julho, pediu ao TSE que instaurasse uma investigação detalhada para esclarecer a origem e o financiamento da suposta rede de perfis falsos que atuava contra a campanha do candidato. A advogada e ex-ministra do TSE, Maria Cláudia Bucchianeri, destacou a complexidade do esquema, afirmando que a magnitude da operação implicava uma estrutura organizada por trás dos perfis.
Bucchianeri também mencionou que os impulsionamentos estavam sendo pagos em diferentes moedas, incluindo reais, pesos colombianos e dólares, o que sugere um planejamento elaborado e uma tentativa de ocultação. A advogada observou um padrão no uso de perfis com poucos seguidores para contratações significativas de impulsionamento, usando dados falsos para ocultar a verdadeira identidade dos responsáveis.
A representação apresentada ao TSE inclui um pedido para a retirada dos perfis associados a essas práticas e uma investigação sobre a identidade dos envolvidos. A coordenadora da equipe jurídica de Flávio Bolsonaro enfatizou que as apurações realizadas até o momento foram baseadas em informações públicas, e que a colaboração de órgãos de investigação é crucial para identificar os autores da rede.
Outro ponto ressaltado por Bucchianeri foi a utilização de um mesmo código DDD (Discagem Direta a Distância) — o 041, que corresponde a telefones do Paraná — por muitos dos perfis suspeitos. Isso gerou inquietação sobre a possibilidade de uma coordenação regional na campanha de desinformação. A advogada também alertou sobre a violação de resoluções do Tribunal Eleitoral, que proíbem o impulsionamento de conteúdos negativos e mentirosos, reforçando a necessidade de uma resposta contundente por parte das autoridades eleitorais.