Decisão vem após significativas concessões à Itália e França, em meio a desafios geopolíticos e críticas à Doutrina Donroe.
UE acelera acordo com Mercosul após invasão americana na Venezuela. Concessões a Itália e França visam destravar o pacto comercial, apesar da resistência.
A União Europeia destravou as discussões em torno do acordo de livre comércio com o Mercosul nesta quarta-feira (7), em um movimento que coincide com a recente invasão americana na Venezuela. Uma reunião entre ministros da Agricultura do bloco em Bruxelas, que não tinha o tratado formalmente em pauta, serviu como um indicativo para a votação decisiva agendada para sexta-feira, sinalizando uma renovada disposição para selar o pacto.
A Itália, que havia se alinhado com o grupo de oposição liderado pela França, obteve concessões significativas. Entre elas, a antecipação de cerca de EUR 45 bilhões em subsídios do próximo Orçamento da UE, visando apaziguar os agricultores do continente. Além disso, o ministro italiano da Agricultura, Francesco Lollobrigida, conseguiu uma isenção tarifária para fertilizantes, que estavam sob a mira da taxa de carbono sobre importações da UE (CBAM), com o apoio da França.
Geopolítica e Resistência Francesa
A aprovação dessas concessões, que incluíram o desmoralização de um mecanismo de taxa de carbono em sua estreia e a revisão da política de fundos agrícolas, demonstra o alto preço que a Comissão Europeia está disposta a pagar. O timing das deliberações, dias após a captura de Nicolás Maduro em Caracas, sugere uma urgência em fechar o acordo, que pode oferecer um raro alívio à economia europeia diante de crescentes desafios geopolíticos.
A situação levanta questões sobre como os Estados Unidos, sob a Doutrina Donroe, reagirão a este avanço europeu na América do Sul.
Apesar das concessões, a França permanece inflexível em sua oposição. Sem o voto italiano, Paris dificilmente conseguirá uma minoria de bloqueio no Conselho da UE.
A estratégia francesa agora parece ser prolongar o debate sobre novas concessões ou tentar minar o documento no Parlamento Europeu. Salvaguardas inseridas pelos eurodeputados em dezembro exigem a aprovação final em Estrasburgo, e a suspensão da importação de frutas do Mercosul com traços de agrotóxicos já é vista como um primeiro passo dessa ofensiva.
Maud Bregeon, porta-voz do governo francês, alertou que o Parlamento poderia levar o acordo ao Tribunal de Justiça da UE, um trâmite que consumiria anos. Opositores já formularam uma resolução nesse sentido.
A aprovação do tratado sem o apoio de um dos países fundadores seria um precedente no bloco e intensificaria a crise política francesa, com impactos negativos na percepção pública e na posição do primeiro-ministro Sébastian Lecornu. O vice-presidente brasileiro, Geraldo Alckmin, por sua vez, expressou otimismo quanto à conclusão do acordo.