A decisão da União Europeia de retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal representa um risco significativo para o agronegócio brasileiro, com possíveis perdas que se aproximam de US$ 2 bilhões anualmente. Dados do Agrostat, ligado ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), revelam que, em 2025, o Brasil enviou cerca de 368,1 mil toneladas de carne para o bloco europeu, gerando um faturamento de US$ 1,8 bilhão. A restrição, oficializada pela Comissão Europeia no dia 5 de junho, pode afetar a exportação de carnes até setembro de 2026, quando a medida entra em vigor definitivamente.
Os produtos que poderão ser impactados incluem carne bovina, carne de frango, carne equina, pescado, mel e tripas. Atualmente, a União Europeia representa o segundo maior mercado para as exportações de carne brasileira em termos de valor, ficando atrás apenas da China. Em 2025, as exportações de carne bovina totalizaram US$ 1,048 bilhão com 128 mil toneladas, enquanto a carne de frango movimentou US$ 762,9 milhões e 230 mil toneladas. Outros produtos, como carne suína e carne de cavalo, também fazem parte desse comércio, que somam um valor total de aproximadamente US$ 1,8 bilhão.
Embora haja a possibilidade de redirecionar parte dessa produção para outros mercados, especialistas do setor enfatizam que a perda de acesso à União Europeia pode impactar de forma significativa os frigoríficos exportadores e setores que dependem do mercado europeu para produtos de maior valor agregado.
A decisão da Comissão Europeia se baseia na alegação de que o Brasil não forneceu informações suficientes para demonstrar que estaria em conformidade com as exigências sanitárias do bloco até setembro de 2026. As autoridades europeias destacam que o uso inadequado de medicamentos veterinários no Brasil tem contribuído para a resistência bacteriana, um problema que afeta a saúde pública global.
Apesar da oficialização da proibição, as exportações brasileiras ainda ocorrem normalmente, uma vez que o novo regulamento só entrará em vigor em 3 de setembro de 2026. O governo brasileiro e as entidades do setor produtivo têm a expectativa de utilizar esse período para apresentar esclarecimentos que possam reverter a decisão antes da implementação da restrição.