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365 mil pessoas nas ruas: Um Alerta Social Urgente

Estudo da UFMG revela aumento alarmante da população de rua, expondo falhas do poder público na atenção a vulneráveis.

Estudo da UFMG revela 365 mil pessoas em situação de rua no Brasil, um aumento alarmante que expõe a falha das políticas públicas e a indiferença social.

Um estudo recente da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) trouxe à luz a dimensão alarmante de um problema social frequentemente relegado pelo poder público, especialmente pelas prefeituras: a crescente população em situação de rua no Brasil. O levantamento aponta que, em dezembro de 2025, o país registrava 365 mil pessoas vivendo nas ruas, um número que evidencia não apenas uma condição extrema de vulnerabilidade individual, mas também a falha coletiva em oferecer atenção e suporte a quem mais precisa.

Os dados da UFMG, baseados no CadÚnico do governo federal, revelam um crescimento exponencial em poucos anos. De 158 mil indivíduos em 2021, o total saltou para 327 mil em 2024, culminando nos 365 mil de 2025. É crucial notar que, como muitos não estão no cadastro, a quantidade real de pessoas em situação de rua é provavelmente ainda maior. A região Sudeste concentra a maior parte desses indivíduos, com cerca de 222 mil, seguida pelo Nordeste, com quase 55 mil.

Causas e Desafios da Vulnerabilidade

A equipe da UFMG atribui o rápido aumento a uma confluência de fatores. Embora a consolidação do CadÚnico como via de acesso a benefícios sociais possa explicar parte do registro, a pesquisa aponta para causas mais profundas, como a ausência de políticas públicas eficazes voltadas para moradia, trabalho e educação.

A piora nas condições de vida pós-pandemia de Covid-19, entre 2020 e 2021, e até mesmo os efeitos sociais das mudanças climáticas e das migrações na América Latina, como a chegada de venezuelanos ao Brasil, são elementos que agravam o cenário.

A redução da insegurança alimentar, muitas vezes vista como um indicador suficiente de melhoria social, não se traduz em políticas efetivas para a população de rua. Esse problema é visível em grandes capitais como São Paulo e Rio de Janeiro, mas também se manifesta no Recife e em outras cidades pernambucanas.

A responsabilidade pela permanência e agravamento dessa situação recai sobre os três níveis de governo, cujos mandatos sucessivos pouco alteram uma realidade que é um reflexo da histórica desigualdade nacional.

Robson César Correia de Mendonça, do Movimento Estadual da População em Situação de Rua de São Paulo, cobrou uma mudança de abordagem: “Quando o Brasil tomar conhecimento e o governo se conscientizar de que não tem que tratar a população em situação de rua criando guetos, mas como cidadão desempregado, criando capacitação e, principalmente, sensibilizando os empresários para que deem empregos para essas pessoas, aí sim isso começa a mudar”.

Essa visão ressalta a necessidade de reconhecer a plena cidadania desses indivíduos.

A crítica se estende especialmente ao poder municipal, que frequentemente trata os cidadãos nas ruas como invisíveis, encarando sua situação como um “direito de ocupação” em vez de uma carência de direitos básicos. Para que haja uma verdadeira transformação, é fundamental que a sociedade e as autoridades públicas reconheçam a dignidade e a necessidade de respeito e apoio, visando à reintegração e à plena cidadania para todos.

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