Distribuidoras de energia elétrica garantiram o fornecimento de energia firme a partir de 2030, através de um leilão realizado pela Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). O leilão, denominado “A-5” de 2025, foi destinado exclusivamente à construção de usinas hidrelétricas, visando atender a demanda contínua do mercado, 24 horas por dia.
O certame viabilizou a construção de 65 novas usinas de fonte hidráulica, totalizando uma potência de 815,6 megawatts (MW). O desconto médio em relação ao valor-teto do leilão foi de 3,16%. A capacidade de potência é crucial para suprir o consumo nos horários de pico e para estabilizar o sistema diante da intermitência das fontes eólicas e solares.
Das 65 usinas, 55 são pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), 8 são centrais geradoras hidrelétricas, e 2 são usinas hidrelétricas. O governo estima um volume de R$ 5,6 bilhões em investimentos para a construção das usinas, distribuídas em 12 estados. A energia contratada, com início de fornecimento previsto para 1º de janeiro de 2030 e duração de 20 anos, representa um montante financeiro negociado de R$ 26,6 bilhões.
O grupo espanhol Iberdrola, presente no Brasil através das empresas Celpe, Coelba e Cosern, adquiriu a maior parte da energia ofertada. Em seguida, a Amazonas Energia contratou 148,8 MWm. A Enel, atuante no país através da Coelce e Eletropaulo, também figurou entre as principais compradoras. A aquisição de energia pela Amazonas Energia demonstra o avanço do grupo JBS no setor elétrico. A Enel, por sua vez, sinaliza a intenção de permanecer no mercado brasileiro, apesar de desafios recentes.
O leilão superou o volume contratado em 2022, que somou 22 projetos e 176,8 MW médios. No entanto, persistem desafios no setor elétrico, especialmente em relação à realização de um Leilão de Reserva de Capacidade, essencial para garantir o fornecimento nos horários de maior consumo e para integrar de forma segura as fontes renováveis variáveis ao Sistema Interligado Nacional (SIN). A suspensão desse leilão, previsto para junho de 2025, gera preocupações sobre a vulnerabilidade do sistema. A Aneel promete realizar o leilão em 2026, mas ainda não há data definida.