O governo brasileiro, sob a presidência de Luiz Inácio Lula da Silva, recusou recentemente um pedido do governo dos Estados Unidos para classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organização terrorista. A solicitação americana, feita em maio de 2025, tinha como objetivo permitir a aplicação de sanções mais severas contra a facção criminosa, que controla aproximadamente R$ 30 bilhões em atividades ilícitas e atua em diversos estados do Brasil e em pelo menos 12 estados norte-americanos, incluindo Nova York, Flórida e Massachusetts.
Segundo autoridades brasileiras, a legislação nacional define terrorismo como ações motivadas por interesses políticos, religiosos, raciais ou ideológicos com o objetivo de provocar terror social. Como as atividades do PCC e do Comando Vermelho são movidas por interesses financeiros e não por ideologias, essas organizações não se enquadram na definição legal de terrorismo no Brasil.
O governo enfatizou que o combate ao crime organizado deve seguir os parâmetros da legislação nacional, respeitando a soberania jurídica do país e a autonomia na definição de políticas de segurança pública. Em resposta, os Estados Unidos indicaram que poderão prosseguir unilateralmente com a classificação das facções como organizações terroristas, aplicando sanções econômicas e legais contra indivíduos e entidades associadas, mesmo sem a aprovação formal do Brasil.
Especialistas apontam que a decisão evidencia diferenças nas abordagens de combate ao crime organizado entre os dois países, refletindo tensões entre cooperação internacional e a defesa da soberania nacional.