Suspensão da pena de morte de jovem manifestante ocorre sob pressão internacional e denúncias de violações de direitos humanos no Irã.
A execução de Erfan Soltani, jovem iraniano condenado à morte após protestos, foi suspensa temporariamente, gerando alívio e mantendo a pressão internacional.
A execução de Erfan Soltani, um jovem iraniano de 26 anos condenado à morte por participar de protestos contra o regime do Irã, foi suspensa temporariamente. A decisão, divulgada nesta quarta-feira por uma organização de direitos humanos, ocorre em meio a uma crescente pressão internacional e a denúncias de julgamentos sumários contra manifestantes no país.
De acordo com a Hengaw Organization for Human Rights, que citou familiares de Soltani, a ordem de execução comunicada à família e inicialmente marcada para esta quarta-feira não foi cumprida. A aplicação da pena foi adiada por tempo indeterminado.
A entidade ressaltou as dificuldades impostas pelo bloqueio da internet e pelas severas restrições de comunicação no Irã, que impedem o acompanhamento em tempo real e a confirmação independente dos desdobramentos, mas classificou o adiamento como um alívio momentâneo.
Soltani foi detido em 8 de janeiro em sua residência, na cidade de Karaj, sob a acusação de envolvimento nos protestos. Familiares foram informados de que a execução ocorreria em poucos dias, sem explicações adicionais. Um parente de Soltani declarou à BBC que a sentença de morte foi proferida em um processo extremamente rápido, concluído em apenas dois dias, e que a irmã do jovem, advogada, foi impedida de intervir, sendo informada de que não havia recursos possíveis.
Escalada da Repressão e Alerta Internacional
O adiamento da execução de Soltani se dá em um contexto de endurecimento da repressão estatal. O Ministério Público de Teerã informou que um número não especificado de manifestantes será julgado por “moharebeh”, ou “guerra contra Deus”, uma das acusações mais graves no país, que pode resultar em pena de morte.
Segundo a Iran Human Rights, o Irã ocupa a segunda posição mundial em número de execuções, atrás apenas da China, com pelo menos 1.500 pessoas executadas em 2025. Durante a onda de protestos entre 2022 e 2023, 12 manifestantes foram mortos após condenações capitais.
A Iran Human Rights elevou para 734 o número de mortes confirmadas nos protestos atuais, admitindo que o total real pode ser muito maior, e estima que mais de 10 mil pessoas tenham sido presas desde o início das manifestações. A Human Rights Watch denunciou uma escalada da repressão e pediu que a comunidade internacional pressione Teerã a respeitar os direitos humanos e a cooperar com investigações das Nações Unidas, alertando que o bloqueio da internet dificulta a apuração de execuções ilegais e outras violações.
O caso de Erfan Soltani destaca a fragilidade dos direitos humanos no Irã e a importância da vigilância internacional. Embora o adiamento represente uma vitória temporária para os ativistas e familiares, a ameaça de execução permanece, e a situação de milhares de outros detidos em circunstâncias semelhantes continua a ser motivo de profunda preocupação global.