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Mercosul e União Europeia assinam acordo comercial neste sábado

Após mais de duas décadas de negociações, o tratado que visa integrar um mercado de 720 milhões de pessoas é formalizado no Paraguai. Após...

Após mais de duas décadas de negociações, o tratado que visa integrar um mercado de 720 milhões de pessoas é formalizado no Paraguai.

Após 26 anos, Mercosul e União Europeia assinam acordo comercial que unirá um mercado de 720 milhões de pessoas, prometendo eliminar tarifas e impulsionar o comércio.

O Mercosul e a União Europeia (UE) formalizaram neste sábado (17) um acordo de livre comércio de grande abrangência, após 26 anos de intensas negociações. O tratado, com potencial para integrar um mercado de aproximadamente 720 milhões de pessoas, foi assinado em Assunção, no Paraguai, país que atualmente preside o Mercosul.

A cerimônia ocorreu no teatro José Asunción Flores, local de significativa importância histórica, onde foi assinado o Tratado de Assunção em 1991, marco inicial da criação do bloco sul-americano.

O evento contou com a presença de chefes de estado e representantes dos países-membros do Mercosul, como Javier Milei (Argentina) e Santiago Peña (Paraguai), além da cúpula europeia, incluindo Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, e António Costa, presidente do Conselho Europeu. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, não pôde comparecer por questões de agenda, sendo representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, embora tenha se reunido com os líderes europeus no Rio de Janeiro na véspera para discutir a implementação do acordo.

A assinatura marca o fim da fase de tratativas técnicas e políticas iniciadas em junho de 1999. O texto estabelece a eliminação gradual de tarifas de importação para mais de 90% do comércio bilateral, abrangendo tanto bens industriais – como máquinas, automóveis e equipamentos – quanto produtos agrícolas. Após a formalização, o acordo será submetido à ratificação do Parlamento Europeu e dos congressos nacionais de cada país integrante do Mercosul, um passo crucial para sua entrada em vigor e implementação gradual ao longo dos próximos anos.

Impactos e Perspectivas do Acordo

A expectativa é que o tratado, uma vez ratificado, estabeleça a maior zona de livre comércio do mundo. O vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin expressou otimismo de que o acordo possa entrar em vigor ainda no segundo semestre deste ano, após aprovação legislativa.

A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) projeta que a implementação pode incrementar as exportações brasileiras em cerca de US$ 7 bilhões e promover a diversificação das vendas internacionais, beneficiando diretamente a indústria nacional e atraindo investimentos estrangeiros.

Contudo, o acordo não está isento de controvérsias. Ele é alvo de críticas e protestos por parte de agricultores europeus, que manifestam receio quanto à concorrência dos produtos sul-americanos com a eliminação das tarifas alfandegárias.

Ambientalistas também expressam desconfiança sobre possíveis impactos climáticos e concorrência agrícola. Em resposta, a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, avalia que o texto final está alinhado à agenda ambiental, com cláusulas vinculantes que preveem a suspensão do acordo em caso de violação do Acordo de Paris, buscando equilibrar desenvolvimento e proteção da natureza.

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