Teto salarial: supremo trabalha para acabar com privilégios

Ministro Flávio Dino proíbe novos 'puxadinhos' salariais e aguarda aval do STF para acabar com a farra dos penduricalhos.
Foto: 1 de 1 Flávio Dino vota após Moraes pedir condenação de Bolsonaro e al
Foto: 1 de 1 Flávio Dino vota após Moraes pedir condenação de Bolsonaro e al

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, resolveu mexer em um vespeiro que Brasília adora manter bem guardado: a farra dos penduricalhos. Não é de hoje que o teto constitucional no Brasil é tratado como uma sugestão, e não como uma ordem. Dino já havia dado o primeiro aviso ao cortar benefícios que inflam salários em 30%, 40%, até 50% acima do permitido. É o vale-transporte aqui, o auxílio-ali, e pronto: o limite vira ficção.

Mas o ministro percebeu a movimentação da tropa. Estados e órgãos federais já ensaiavam pressionar o Congresso para criar novas leis e 'legalizar' o puxadinho salarial. Dino foi rápido: proibiu a edição de qualquer nova norma que permita furar o teto. No Supremo, o clima é de 'já ganhou'. A partir do dia 25, o plenário deve avalizar a decisão monocrática de Dino. Os colegas vão assinar embaixo.

É um cerco que se fecha, vindo também do Palácio do Planalto, onde Lula vetou o 'trem da alegria' que permitiria a servidores da Câmara ganhar bônus por dias trabalhados. Uma jabuticaba de 'grana, grana e grana', como se diz por aí. É impossível não lembrar de 1989. Fernando Collor de Mello construiu sua imagem de 'Caçador de Marajás' em Alagoas e atropelou os adversários rumo à Presidência com esse discurso. Na época, ficou apenas no gogó — os marajás continuaram recebendo o deles, 'pá, pá, pá', e a vida seguiu.

Desta vez, a caneta é do Supremo. O teto existe para ser respeitado, não para ser desrespeitado todo santo dia. Isso ainda vai dar muito o que falar. E Dino, ao que parece, não está disposto a recuar.

Siga-nos em nossas redes sociais FacebookTwitter e Instagram. Você também pode ajudar a fazer o nosso Blog, nos enviando sugestão de pauta, fotos e vídeos para nossa a redação do Blog do Silva Lima por e-mail blogdosilvalima@gmail.com ou WhatsApp (87) 9 9155-5555.